100 metros em cem anos: estudo prevê encolhimento das faixas de areia no Rio de Janeiro

Projeções foram feitas com base no cenário mais otimista de aquecimento global. Entenda os impactos

Por: Nicole Leslie -
16/07/2025
Praia de Copacabana (RJ) perdeu 10% da sua faixa de areia em dez anos. Foto: Envato / Edovideo / Reprodução

Nos últimos dez anos, a icônica praia de Copacabana perdeu 10% da sua faixa de areia. A estimativa faz parte de um estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que monitora a dinâmica costeira da capital fluminense e alerta para um futuro nada animador: algumas praias da cidade podem perder até 100 metros de areia até o fim do século.

A análise, divulgada pelo jornal O Globo, acompanhou a elevação do nível do mar em um trecho que vai do Porto até o Leblon. E os números chamam atenção: em Copacabana — cartão-postal mundialmente conhecido — a largura da faixa de areia encolheu 10% em apenas uma década. O estudo considera a distância da calçada até o mar, e não o comprimento total da orla.

Cem anos, 100 metros

Com base nas projeções da UFRJ, o cenário para 2100 é o seguinte:

  • Copacabana e Leme podem perder até 100 metros de faixa de areia;
  • Ipanema e Leblon, até 80 metros;
  • Botafogo, cerca de 70 metros.

O impacto vai além do visual, do turismo ou da diminuição do espaço para os banhistas. Segundo os pesquisadores, essa mudança pode comprometer o escoamento de águas da chuva, impedindo que elas cheguem ao mar. Isso aumenta o risco de inundações em regiões mais baixas. Em outras palavras, inundações que hoje duram horas ou dias podem passar a se estender por semanas ou até meses.


E o pior: esse é o melhor cenário

A estimativa, por mais preocupante que pareça, foi feita considerando o cenário mais otimista de aquecimento global. Isso significa que, mesmo que a elevação da temperatura do planeta seja moderada até o fim do século, o avanço do mar seguirá acontecendo.

Orla de Copacabana. Foto: Envato / diegograndi / Reprodução

O aumento do nível do mar é causado não só pelo derretimento das calotas polares, mas também pela expansão térmica dos oceanos, que se dilatam conforme a temperatura sobe.

O aquecimento dos oceanos, a expansão térmica e o aumento do nível do mar são consequências diretas. Isso tudo altera a força das ondas, as marés e acelera a erosão costeira– afirmou o professor e oceanógrafo Luís Assad, ao g1

Assad, que coordenou o estudo da UFRJ, revelou ao portal que, apesar da urgência, é possível diminuir os impactos do avanço do mar. Para isso, são necessárias ações gerais e locais.

 

Para as gerais, o principal é a redução de emissão de gases de efeito estufa — como já é sabido por diversos acordos internacionais. Localmente, algumas soluções de engenharia costeira como o aumento artificial da faixa de areia e a instalação de recifes artificiais surgem como possibilidades viáveis.

 

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