Mais do que o esperado: NASA revela elevação do nível do mar acima da média em 2024

Agência espacial americana divulgou alteração crucial nos fatores que contribuem com o fenômeno; Entenda

21/04/2025
Foto: Envato/ wirestock

O aquecimento das temperaturas dos oceanos segue trazendo consequências drásticas para o planeta. De acordo com a Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA), o nível global do mar apresentou uma elevação considerada “inesperada” em 2024, sobretudo por conta das altas temperaturas da Terra.

Segundo análise da NASA, a taxa de elevação do nível do mar atingiu 0,59 centímetro, bem acima da projeção inicial, de 0,43 centímetro. Além disso, o levantamento indicou uma alteração importante no padrão dos fatores que contribuem para esse aumento.

Foto: NASA/ Divulgação

A agência explica que, geralmente, cerca de 66% do aumento do nível do mar são atribuídos ao acréscimo de água proveniente do derretimento de geleiras terrestres, enquanto apenas 25% vêm da expansão térmica das águas — quando a água do mar aumenta de volume devido ao aumento da temperatura.

 

Dessa vez, porém, foi diferente. Segundo a NASA, dois terços (o que equivale a 66%) da elevação do nível dos mares foram causados pela expansão térmicas das águas em 2024. Este efeito acontece ao mesmo tempo em que as temperaturas do planeta alcançaram as maiores marcas em três décadas de monitoramento. Não é coincidência.

Conforme as temperaturas aumentam, os oceanos absorvem grande parte do excesso de calor da atmosfera, o que agrava e acelera o aquecimento da água e a expansão térmica. As emissões de gases de efeito estufa só aceleram o processo para o lado negativo.

Embora existam variações anuais naturais, a tendência geral é inequívoca: os oceanos estão subindo e a velocidade desse processo está se acelerando progressivamente– Josh Willis, pesquisador da NASA

Dias quentes, águas quentes

Em comunicado, a NASA explicou que a transferência de calor para os oceanos — responsável pela expansão térmica da água — acontece por meio de diversos mecanismos.

Foto: Envato/ rozum

Em condições normais, a água marinha se organiza em camadas determinadas pela temperatura e densidade. Dessa forma, as mais quentes se sobressaem às camadas mais frias e densas. Na maioria dos casos, o calor da superfície atravessa essas camadas lentamente, até chegar nas profundezas dos oceanos.

 

Entretanto, essas camadas podem sofrer agitação suficiente para uma mistura mais acelerada, como em regiões onde os ventos são intensos. Além disso, as grandes correntes marítimas provocam a inclinação desses níveis e facilitam o deslocamento das águas superficiais para regiões mais profundas.

Gráfico que mostra o nível médio global do mar (em azul) desde 1993, medido por uma série de cinco satélites. A linha vermelha sólida indica a trajetória desse aumento, que mais que dobrou nas últimas três décadas. A linha vermelha pontilhada projeta o aumento futuro do nível do mar. Foto: NASA/JPL-Caltech/ Divulgação

No Pacífico, o fenômeno El Niño ajuda a explicar o aquecimento dos mares, que consequentemente, contribui com a elevação do nível do mar apontada pela NASA. O mesmo não vale, porém, para regiões em que ondas de calor marinhas são definidas como “potencialmente devastadoras” pelo Copernicus, serviço climático da União Europeia.

É preciso dar um jeito

A taxa anual de elevação do nível do mar mais do que dobrou desde 1993, quando teve início a medição via satélites de observação. Ao todo, o nível global dos oceanos subiu cerca de 10 cm no acumulado do período.

Foto: Envato/ haveseen

Atualmente, o monitoramento é realizado pelo Sentinel-6, lançado em 2020. Este é o primeiro de dois satélites idênticos, que também serão responsáveis por acompanharem a evolução deste problema ao longo da próxima década.

 

O estudo da NASA somado à outras pesquisas sobre o tema reforça a preocupação da comunidade científica em relação à elevação do nível do mar, especialmente em comunidades costeiras que já enfrentam inundações frequentes durante os períodos de maré-alta.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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