Tudo pronto!


Antes da largada da sexta etapa da Volvo Ocean Race – Itajaí até Newport, que acontecerá neste domingo (19), a partir de 14h, acontece neste sábado (18) a Team Vestas Wind In-port Race de Itajaí, a famosa regata local, que terá início às 14 h e terá cobertura de NÁUTICA.
O placar geral da Volvo Ocean Race aponta uma vantagem confortável para o Abu Dhabi Ocean Racing, barco dos Emirados Árabe Unidos. Os árabes somam nove pontos perdidos, sete de vantagem sobre o Dongfeng Race Team, que está em segundo. Mas, como a modalidade é feita de improvisos, qualquer erro, por menor que seja, pode mudar os números de uma hora pra outra. Durante a coletiva dos sete comandantes da Volta ao Mundo, que ocorreu nesta sexta-feira (17), em Itajaí (SC), muitos queriam saber do líder do Abu Dhabi se as favas estavam contadas. Sem o oba oba característico do futebol para nós brasileiros, Ian Walker disse que ainda há muito mar pela frente. “A vitória na última perna foi importante para nós. Mas ainda falta muita coisa, quase a metade dos pontos e tudo pode acontecer até junho. Nossa estratégia será mantida até o fim”, disse Ian Walker, comandante do barco árabe. “Nossa meta é vencer a Volvo Ocean Race”.
O sistema de pontuação da Volta ao Mundo é simples: o vencedor soma um ponto, o segundo dois, o terceiro três e assim por diante. No final, quem tiver menos pontos é o campeão. O Dongfeng Race Team, que liderava o campeonato até a etapa quatro, teve um problema no seu mastro no caminho ao Brasil e foi obrigado a abandonar a regata naquele momento. Ganhou pontos que minaram sua liderança.
“Os oito pontos somados e perder a liderança, por consequência, foram terríveis. Agora está tudo muito igual na segunda parte da tabela. Vamos continuar velejando do mesmo jeito para tentar reverter a situação”, falou Charles Caudrelier, comandante do Dongfeng. “Antes de sair da Nova Zelândia, a gente tinha oito pontos. Quando chegamos ao Brasil ganhamos o dobro”.
Em terceiro na tabela está o Team Brunel, do experiente Bouwe Bekking. O time holandês soma 18 pontos perdidos. Para o velejador, que está em sua sétima Volvo Ocean Race, não dá para seu adversário comemorar. “Tudo pode ocorrer. É só lembrar o que ocorreu com o time espanhol na edição passada. O Abu Dhabi lidera bem, mas ainda tem muito para rolar, inclusive mais uma travessia transatlântica”.
Bouwe Bekking citou o Telefónica, que na edição passada vencia a Volvo Ocean Race com folga na quinta etapa e, por resultados ruins e algumas quebras, perdeu a liderança e terminou em quarto lugar, fora do pódio.
Classificação do campeonato
1º – Abu Dhabi Ocean Race – 9 pontos perdidos
2º – Dongfeng Race Team – 16 pontos perdidos
3º – Team Brunel – 18 pontos perdidos
4º – Team Alvimedica – 19 pontos perdidos
5º – MAPFRE – 20 pontos perdidos
6º – Team SCA – 29 pontos perdidos
MAPFRE ganha pontos e cai para quinto no geral
O time espanhol MAPFRE foi punido com o acréscimo de dois pontos por questões administrativas durante a quinta etapa da Volvo Ocean Race. A equipe fez reparos no casco e na retranca após a largada em Auckland.
Um júri independente da ISAF – Federação Internacional de Vela – concluiu que os espanhóis quebraram as regras da classe Volvo Ocean 65, bem como as regras da regata. Segundo o documento oficial, todos os reparos precisam ser comunicados imediatamente à organização.
Os representantes do MAPFRE recorreram da decisão informando que o trabalho a bordo foi feito para reforçar a segurança.
Em uma audiência separada, os representantes da ISAF Júri,autorizaram o Dongfeng a substituir a vela grande para a próxima perna, que começa no domingo (19). Os chineses tiveram que abandonar a etapa anterior por causa da quebra do mastro.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.



