Temporada de baleias: Litoral Norte de SP bate recorde com quase 700 animais avistados
No início de maio deste ano, pescadores flagraram o que seria a primeira aparição de uma baleia-jubarte em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. Mal sabiam eles que, neste ano, a região bateria um recorde de avistamentos do animal: ao menos 695 foram vistas desde então.
Temporada de baleias: confira regras e onde avistar o animal no Brasil
Estudo revela que baleias-jubarte em migração perdem, em média, 11 toneladas de gordura
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
A temporada de baleias no Brasil costuma abranger o período de junho a novembro, quando esses cetáceos deixam as águas geladas da Antártica para se reproduzirem nas águas quentinhas do país. Confira um dos muitos registros desses animais, feito pelo fotógrafo Rafael Mesquita:
Ver esta publicação no Instagram
O Litoral Norte de São Paulo tem sido uma parada obrigatória dessas gigantes, especialmente de jubartes (Megaptera novaeangliae). Mas nem sempre foi assim — mesmo a nível nacional.
Da quase extinção ao recorde de avistamentos
Há pouco mais de 20 anos, um dos primeiros censos para monitorar a presença de baleias-jubarte em águas brasileiras registrou o número alarmante de 3360 animais. Para se ter uma ideia, especialistas da época diziam que entre 27 e 30 mil desses mamíferos costumavam ser vistos nas águas do país durante a temporada de reprodução da espécie.


A devastação dessas baleias era fruto da caça indiscriminada em busca de seu óleo — usado para iluminação, lubrificação e fabricação de diversos produtos. No Brasil, ganhou força nos idos de 1602, especialmente na região do Recôncavo Baiano, com a chegada dos baleeiros bascos e depois das armações baleeiras, estabelecidas entre os estados de Bahia e Santa Catarina.
Incontáveis jubartes foram sistematicamente atacadas, principalmente entre Bahia e São Paulo. A caça de baleias só foi legalmente proibida no Brasil em 1987, com a Lei nº 7.643, que proíbe a pesca de cetáceos nas águas jurisdicionais brasileiras e estabelece punições para quem desrespeitar a proibição, incluindo prisão e multas.
De lá para cá, a população de jubartes no país segue em constante evolução. Sérgio Cipolotti, coordenador nacional do Projeto Baleia Jubarte, que atua no litoral paulista, revelou ao g1 que o número que não passava dos 4 mil, hoje já mais do que triplicou.
O projeto tem um censo aéreo desde 2001 […] e hoje a gente passa dos 25 mil na costa brasileira– contou Cipolotti ao veículo
Regras na hora de avistar baleias no Brasil
Embora as baleias estejam cada vez mais à vontade em águas brasileiras, existem regras para avistá-las de maneira saudável.
A atividade de Turismo de Observação de Baleias no país é normatizada pela Lei Federal 7.643 de 1988, que proíbe o molestamento intencional de qualquer espécie de cetáceo, e pela Portaria IBAMA 117 de 1996, que define normas específicas para a atividade.
Portanto, as embarcações são proibidas de:
- Aproximar-se de qualquer espécie de baleia com o motor ligado a menos de 100 metros de distância do animal mais próximo;
- Religar o motor antes de avistar claramente as baleias na superfície ou a uma distância de no mínimo 50 metros da embarcação;
- Perseguir, com motor ligado, qualquer baleia por mais de 30 metros, ainda que respeitadas as distâncias estipuladas acima;
- Interromper o curso de deslocamento de cetáceo de qualquer espécie ou penetrar intencionalmente em algum grupo, os dividindo ou dispersando;
- Produzir ruídos excessivos, como música, percussão de qualquer tipo ou aqueles gerados pela operação normal da embarcação, a menos de 500 metros de qualquer cetáceo;
- Despejar qualquer tipo de detrito, substância ou material a menos de 500 m de qualquer cetáceo;
- É proibida a prática de mergulho ou natação, com ou sem o auxílio de equipamentos, a uma distância inferior a 50 metros de baleia de qualquer espécie.
Vale destacar que as baleias chegam ao Brasil em ciclo de reprodução — um período sensível, que faz das regras ainda mais essenciais para um avistamento saudável. Procure projetos voltados a esses mamíferos, que levam turistas para vê-los de pertinho por meio de operadoras de turismo confiáveis, que seguem as Normas de Avistagem no Brasil.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina
Lançada no São Paulo Boat Show 2026, lancha da Real Powerboats registra alta procura e tem toda a produção vendida até o próximo ano




