Estudo revela que baleias-jubarte em migração perdem, em média, 11 toneladas de gordura
Pesquisa usou drones para quantificar o gasto energético do animal em sua jornada épica


Um novo estudo, publicado em julho na revista Marine Mammal Science, detalhou o esforço que as baleias-jubarte do hemisfério sul enfrentam em suas longas jornadas migratórias. A pesquisa revelou que essas gigantes dos oceanos chegam a perder impressionantes 11 toneladas de gordura a cada ciclo, um feito que redefine nossa compreensão sobre a fisiologia e as demandas energéticas desses cetáceos.
Baleias assassinas estão tentando socializar com humanos? Estudo levanta essa hipótese
Navios de petróleo podem estar acelerando extinção da rara baleia-de-Rice
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
A metodologia empregada pelos pesquisadores utilizou a fotogrametria (técnica baseada em drones) para obter imagens de alta definição. Dessa forma, os cientistas conseguiram monitorar o volume corporal das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) sem interferir em seu comportamento natural, garantindo dados precisos e não invasivos sobre os animais.
O período de observação, que se estendeu de 2017 a 2019, focou em áreas cruciais para a sobrevivência das baleias: as águas gélidas de alimentação na Península Antártica Ocidental e a costa de reprodução na Colômbia. A coleta de dados nesses locais foi essencial para compreender o impacto da migração no metabolismo e nas reservas energéticas dos animais.


Compreendendo as condições das baleias
Com um total de 282 baleias medidas, o estudo concentrou análises em 103 indivíduos adultos. A partir das imagens, foram feitas medições detalhadas de comprimento e largura, que permitiram estimar o volume corporal de cada baleia.
A “condição corporal” de cada animal foi calculada comparando seu volume real com o volume esperado para seu tamanho. O resultado forneceu retratos fiéis das reservas de gordura.
Essas medições permitiram aos cientistas quantificar a importância das reservas de gordura para a sobrevivência das jubartes, especialmente durante os períodos de migração e reprodução, quando o jejum se torna uma parte inevitável na rotina. Nesse momento, é a energia estocada que as mantém vivas.


Os resultados do estudo revelaram padrões sazonais na condição corporal das baleias. O pico de acúmulo de gordura acontece entre o início de março e o final de maio, marcando o clímax da temporada de alimentação antártica, quando as baleias se preparam para a exaustiva viagem rumo às águas quentes para reprodução.
Por outro lado, o ponto mais baixo na condição corporal das jubartes foi observado entre o final de agosto e o início de dezembro. Essa fase coincide com o término do jejum reprodutivo e a espera pelo retorno à Antártica, evidenciando o quão esgotadas estão as reservas energéticas antes do próximo ciclo de alimentação.
O custo da migração em números
O estudo revelou que uma baleia-jubarte adulta perde, em média, cerca de 36% de sua condição corporal durante a migração. Essa redução colossal demonstra o esforço biológico extremo que a espécie enfrenta para garantir a continuidade de sua linhagem e a perpetuação do ciclo da vida.
Traduzindo essa perda em números práticos, cada jubarte perde aproximadamente 12 m³ de volume, o que equivale a impressionantes 11 toneladas de gordura. Essa massa, que funciona como a principal reserva de energia, é consumida ao longo da jornada.
A pesquisa especificou ainda que essa perda equivale a 5 toneladas de lipídios puros. Em outras palavras, isso corresponde a um déficit energético de 196 milhões quilojoules, o equivalente à energia contida em 57 toneladas de krill antártico, o minúsculo crustáceo que é a base da dieta das baleias.


Esses dados reforçam a importância crucial do krill para a sobrevivência das baleias-jubarte. A dependência energética desses pequenos organismos torna as jubartes vulneráveis a flutuações nas populações de krill, que já enfrentam ameaças como o aquecimento global e a pesca predatória em algumas regiões.
Uma ferramenta para a conservação
Esses pequenos crustáceos formam imensos cardumes que flutuam sobre as gélidas águas antárticas, sendo um banquete fácil para as baleias, mas também alvo de atividades humanas. A saúde das jubartes está, portanto, intrinsecamente ligada à saúde do ecossistema onde se alimentam.


O estudo representa uma nova ferramenta para a ciência, que permite identificar os padrões de comportamento das baleias-jubarte. A partir deles, é possível prever possíveis períodos de vulnerabilidade da espécie.
Desvendar os custos energéticos da migração desses cetáceos, portanto, não apenas enriquece o conhecimento científico, mas também reforça a urgência de esforços globais que protejam os oceanos e as majestosas criaturas que dependem deles.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Decisão veio de Eddie Smith Jr., dono da Grady-White Boats, para manter a cultura da empresa viva mesmo fora do seu controle
Peça foi retirada da água a cerca de 1,7 mil km da costa brasileira durante uma expedição do navio de pesquisa Schmidt Ocean Institute
Lançado neste domingo (2), no bairro Espinheiros, atracadouro conta com estruturas flutuantes para receber embarcações de até 100 pés de comprimento
Italiano acompanhou a America’s Cup desde 1983 e construiu um dos acervos mais importantes da fotografia náutica internacional
Contratos foram firmados ao final de julho. Estaleiro de luxo começou a apostar na vela em 2023, com o primeiro patrocínio ao velejador olímpico




