Gosma azul encontrada no fundo do Pacífico pode ajudar a entender os primórdios do planeta

07/12/2025

A ciência continua a achar vida mesmo onde tudo indica que seria impossível. Pesquisadores alemães encontraram no Oceano Pacífico, a cerca de 3 mil metros de profundidade, uma gosma azul que abriga microrganismos capazes de sobreviver em um ambiente hostil — em um cenário tóxico e de completa escuridão.

A amostra foi coletada próxima à Fossa das Marianas, o local mais profundo conhecido nos oceanos e uma das áreas mais misteriosas e extremas do planeta. Essa substância encontrada possui um pH altíssimo, é quimicamente agressiva e oferece risco de queimaduras para a pele humana.

Foto: leungchopan/ Envato

Ao todo, foram extraídas nove partes dessa gosma azul — que tem origem do vulcão de lama Pacman. Duas delas foram estudadas mais detalhadamente, com a porção mais profunda mantendo a cor azul característica devido à presença dos minerais serpentino e brucita. Já a parte mais próxima da superfície ganhou uma coloração verde-azulada pela dissolução de brucita pelo sal do mar.

No mesmo estudo, as análises químicas da gosma azul revelaram moléculas de gordura (lipídios) das membranas celulares dos microrganismos, que servem como um tipo de defesa contra o ambiente extremamente alcalino (ou seja, uma região com um nível de pH elevado).

É fascinante observar que a vida sob condições extremas, como pH elevado e baixas concentrações de carbono orgânico, é possível-afirmou Florence Schubotz, uma das autoras do estudo

A descoberta foi publicada na revista Nature.

A vida na escuridão

Um fator que chamou atenção dos especialistas foi a forma como esses micróbios geram energia mesmo vivendo em completa escuridão. De acordo com a pesquisa, eles produzem metanogênese, consumindo sulfato e liberando sulfeto de hidrogênio no processo. Esse mecanismo até então era apenas presumido pela comunidade científica.

Águas do Oceano Pacífico. Foto: NOAA / Reprodução

Também foram detectadas nesse ambiente extremo bactérias e arqueias adaptadas ao local. Com isso, os pesquisadores buscam compreender como esses seres conseguem sobreviver em condições tão hostis — e, além de tudo, com baixíssimas concentrações de carbono orgânico.

 

A descoberta reforça uma ideia: de que locais extremos, como vulcões de lama no fundo do oceano, podem ter sido berços de formas de vida primordiais. Logo, mais estudos nessa área ajudam a reconstruir cenários possíveis para o início da vida na Terra e oferecem pistas sobre os mecanismos antigos de sobrevivência.

 

Segundo os pesquisadores, cerca de 15% da biomassa terrestre pode estar localizada nas profundezas dos mares — embora se tenha pouco conhecimento sobre esses ecossistemas. Por isso, descobrir microrganismos vivendo em uma gosma tão hostil pode sugerir que há uma biosfera oculta no fundo dos oceanos, sendo vital para os ciclos globais de nutrientes.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    FS 375 HT terá estreia no Sul do país durante o Boat Show em Itajaí

    Novidade da FS Yachts será levada a Itajaí, em Santa Catarina, em evento onde a próxima novidade da marca também será anunciada

    Hidea vai apresentar nova linha de motores de popa de até 200 hp no Boat Show em Itajaí

    Modelos passarão a ocupar o topo do portfólio da Hidea em potência e estarão no evento que acontece de 2 a 5 de julho

    Como gerar água doce a bordo? Tecnologia brasileira estará no Marina Itajaí Boat Show 2026

    Empresa brasileira levará ao maior salão náutico do Sul do país um sistema que transforma água do mar em água doce para uso em embarcações

    Velejando para o Futuro: projeto abre novas turmas no RJ para o segundo semestre

    Iniciativa da CBVela leva crianças e adolescentes de 6 a 18 anos para imersão gratuita na vela; primeiras aulas começam nesta quinta-feira (18)

    Sem placas: “pele solar” transforma teto de lanchas em fonte de energia no mar

    Tecnologia da Riviera Yachts gerou aproximadamente 10 kWh por dia em um barco de 58 pés, segundo a marca