Peixe que vive nas profundezas tem cabeça transparente e olhos giratórios

05/09/2025

Por mais que possa parecer, este animal não saiu de um filme de ficção. O peixe de cabeça transparente e olhos giratórios existe e vive a cerca de 600 metros de profundidade no oceano. Em tempo, ele é resultado de uma das adaptações mais incríveis da escuridão inóspita deste ecossistema.

Conhecido como peixe-olhos-de-barril (Macropinna micróstoma), essa pequena criatura de 15 centímetros adotou uma solução prática para sobreviver onde há pouquíssima luz: uma cabeça translúcida e olhos tubulares que se viram para cima — como se enxergassem através de um teto solar.

Peixe-olho-de-barril. Foto: MBARI/ Divulgação

Os olhos deste peixe não são esferas, mas tubos grossos. Eles conectam uma lente grande a uma área da retina, o que proporciona a sensibilidade de um olho grande sem o custo metabólico e a necessidade de espaço. Ou seja, os “buraquinhos” que aparecem onde seria o “rosto” do peixe são, na verdade, as narinas dele.

Peixe-olho-de-barril. Foto: MBARI/ Divulgação

Os verdadeiros olhos, por sua vez, são envoltos por cristais verdes e quase sempre mirados para cima, num escudo transparente cheio de líquido que cobre o topo da cabeça e protege a vista de qualquer criatura que o possa confundir com uma presa.

 

Além disso, os pigmentos verdes dos olhos bloqueiam qualquer mínima luz que consiga chegar da superfície, numa espécie de filtro. Isso também torna mais detectável o brilho bioluminescente de águas-vivas e outros pequenos animais que flutuam acima dele.


Essa habilidade ajuda a espécie a caçar em águas extremamente escuras, já que a 600 metros de profundidade, o cenário é quase um completo breu. Conforme estudo publicado na Current Biology, a 850 metros a visibilidade se assemelha ao que veríamos numa noite nublada sem lua, o que é considerado o limite da visão humana.

Olhos que podem girar

O peixe-olho-de-barril foi descrito pela primeira vez em 1939 por Wilbert Chapman, um oceanógrafo que trabalhou para a instituição que mais tarde se tornou o Serviço de Pesca dos EUA. Os próximos avanços só surgiram em 2009, quando pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey (MBARI) capturaram um exemplar vivo.

Peixe-olho-de-barril. Foto: MBARI/ Divulgação

O peixe que sobreviveu algumas horas em um aquário permitiu que os pesquisadores descobrissem que os olhos do animal também giram para a frente, derrubando a tese de que ele observava apenas o que estava acima dele.

 

Os estudos anteriores falharam em registrá-lo em vida porque o animal colapsava ao ser “puxado” para a superfície. Por isso, o que se fazia na época era uma “biologia forense”, na qual os cientistas tentavam compreender a vida do peixe mesmo sem nunca ter o observado em vida.

Peixe-olho-de-barril. Foto: MBARI/ Divulgação

O estudo e as imagens capturadas da cabeça transparente deste peixe foram feitos com ajuda de um Veículo Operado Remotamente (ROV), entre os anos de 2008 e 2021, em profundidades que variavam de 600 a 800 metros.

 

Inclusive, a pesquisa feita há quatro anos foi a mais completa sobre o animal. Desta vez, foram realizadas mais de 5 mil operações com o ROV e quase 30 mil horas de vídeo — só faltou combinar com os peixes, que apareceram apenas nove vezes.

Peixe-olho-de-barril. Foto: MBARI/ Divulgação

Esse animal se alimenta de minúsculos crustáceos e outras criaturas que ficam presas nos tentáculos das águas-vivas. Ainda pouco se sabe sobre a sua distribuição, mas a maioria dos casos documentados vieram do Pacífico Norte, em trechos do Mar de Bering até o Japão e Baixa Califórnia.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Martine Grael é anunciada pelo time dos Estados Unidos no SailGP

    Bicampeã olímpica substituirá Taylor Canfield no comando do F50 americano durante a etapa em Genebra neste final de semana

    Center consoles ganham espaço entre os barcos do São Paulo Boat Show

    Com comando centralizado e áreas livres ao redor do console, embarcações apostam na versatilidade para pesca, passeios e lazer

    Especialistas destacam vocação do Brasil para incremento da indústria naval

    Painel "Indústria Náutica e Naval: Geração de Emprego e Renda" foi apresentado nesta quinta-feira (17) no Fórum Internacional Náutico da ANB, em Salvador

    Série com ilha, barca e mistério náutico domina o Emmy 2026

    “O Segredo de Widow’s Bay”, da Apple TV, venceu 14 prêmios e reforçou o apelo de histórias ambientadas em comunidades costeiras isoladas

    Filme sobre Amyr Klink fica fora da disputa do Brasil no Oscar 2027

    “100 Dias”, de Carlos Saldanha, estava entre os seis finalistas para representar o país, mas o escolhido foi “Feito Pipa”, de Allan Deberton