Ouça a gravação mais antiga já feita do canto de uma baleia

Registro de 1949, gravado em um disco de plástico, revela em quase 1 minuto e meio o som emitido por uma baleia-jubarte

04/04/2026
Som foi gravado em um disco de plástico há quase 80 anos. Foto: imagesourcecurated / Envato

A sensação de ouvir o canto de uma baleia no fundo do mar nos faz lembrar o quanto somos pequenos no mundo. Mas uma gravação desse som, feita há 77 anos, no que pode ser o registro mais antigo do barulho de uma baleia, promete ser ainda mais tocante — especialmente quando se leva em conta que as jubartes, a espécie em questão, estavam em declínio na época.

A gravação foi capturada em 7 de março de 1949, próximo às Bermudas, ilha do Atlântico. Durante quase 1 minuto e meio, é possível devanear sobre o que acontecia com o cetáceo naquele exato momento, tantos anos atrás. Confira:

 

 

O som que agora mexe com a nossa imaginação existe graças a uma equipe de pesquisadores. Foi a bordo do R/V Atlantis (um navio de pesquisa), usando um equipamento de gravação subaquática junto de um ditafone (um tipo de gravador de som antigo), que eles conseguiram registrar o canto em um disco de plástico, quase 80 anos atrás.

 

A expedição, em parceria com o Escritório de Pesquisa Naval dos EUA, visava explorar experimentos acústicos, a exemplo de testes de sistemas de sonar e medição do volume de explosivos. Vale destacar que, à época, as gravações de sons subaquáticos ainda engatinhavam, e pouco se sabia sobre diversos ruídos vindos do mar.

Foto: imagesourcecurated / Envato

O material foi encontrado só agora, em 2026, por pesquisadores do WHOI (sigla em inglês para Instituto Oceanográfico de Woods Hole) nos arquivos da instituição, em Massachusetts, nos Estados Unidos.

O oceano está muito mais barulhento agora, com aumentos tanto no número quanto nos tipos de fontes sonoras– destacou Laela Sayigh, bioacústica marinha e pesquisadora sênior do WHOI

Segundo a pesquisadora, na maioria dos casos, “simplesmente não existem dados desse período”. Para Laela, a “gravação pode fornecer informações sobre como os sons das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) mudaram ao longo do tempo, além de servir como base para medir como a atividade humana molda a paisagem sonora do oceano.”

Um som raro de uma espécie que quase sucumbiu

Conforme bem lembrou a revista Scientific American, a gravação remonta aos anos 1950, quando as baleias-jubarte do Atlântico Norte estavam à beira do colapso por causa da caça comercial.

 

Para se ter uma ideia, em 1955, estimava-se que restavam menos de mil desses cetáceos na região. Após a moratória global à caça adotada pela International Whaling Commission, em 1986, a população começou a se recuperar. Hoje, estimativas indicam um aumento de até 25 vezes em relação ao período, embora os números variem conforme a subpopulação analisada.

Foto: Image-Source / Envato

Apesar da recuperação, as jubartes ainda enfrentam ameaças como colisões com embarcações, emalhe em redes de pesca, poluição química e, sobretudo, ruído submarino. Isso porque o barulho gerado por navios e atividades industriais pode interferir na comunicação desses animais por meio dos cantos, fundamentais para reprodução e orientação. Conforme ressaltou Peter Tyack, bioacústico marinho e pesquisador emérito do WHOI, o som é essencial para entender o ecossistema.

Ao ouvir o oceano, podemos detectar baleias onde elas não podem ser facilmente vistas– afirmou o cientista

Hoje, o monitoramento acústico é uma das principais ferramentas de conservação. Pesquisadores utilizam boias acústicas passivas, planadores submarinos, hidrofones fixos e robôs oceânicos autônomos para registrar sons em tempo real. São sistemas que permitem acompanhar deslocamentos, avaliar impactos humanos e compreender mudanças ambientais que afetam não só as baleias, mas todo o oceano.

 

Essas ferramentas, para Peter, ainda são essenciais para “rastrear como a atividade humana, desde o ruído de navios até os sons industriais, altera a paisagem sonora do oceano e afeta a forma como as baleias se comunicam, navegam e sobrevivem.”

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    A mais bonita do mundo? Nota de mil rúpias das Maldivas destaca a vida marinha

    Cédula tem tartaruga-verde no anverso e tubarão-baleia no reverso, que reforçam a biodiversidade da região

    Sanlorenzo SD90 atracará no Brasil pela 1ª vez no Rio Boat Show 2026

    Iate de 27 metros vai estrear no salão náutico carioca através da Sanlorenzo Brazil. Evento acontece de 11 a 19 de abril, na Marina da Glória

    Nova lancha aposta em tecnologia híbrida e energia solar otimizada para maior autonomia na água

    Greenline 42 traz motores Yanmar e usa painéis solares para alimentar sistemas de bordo sem necessidade de gerador a diesel. Especialista Pedro Rodrigues comenta sobre tecnologias

    Heineken é a cerveja oficial do Rio Boat Show 2026

    Grupo Heineken, um dos patrocinadores do evento, escolheu a "verdinha" para levar frescor e bons brindes à experiência do público

    Menos sol, menos gasto: como a proteção solar a bordo preserva materiais e reduz o consumo de combustível

    Separamos dicas especiais para lidar com as consequências dos raios solares sem renunciar à vista do mar, de quebra, economizando combustível