Sem placas: “pele solar” transforma teto de lanchas em fonte de energia no mar
Para quem achava que as placas solares já eram o ápice da tecnologia sustentável em uma embarcação, o estaleiro australiano Riviera trouxe uma solução ainda mais avançada e, acima de tudo, otimizada. Agora, a maioria das lanchas da marca possuem um novo tipo de “pele solar”, integrada no teto rígido ainda durante a fase de moldagem da construção.
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A novidade, desenvolvida em parceria com a especialista em energia solar Praxis, foi anunciada em abril deste ano e abrange os modelos da marca que variam de 39 a 78 pés. Diferentemente dos painéis rígidos tradicionais montados sobre estruturas de alumínio, a nova “pele solar” possui uma camada solar ultrafina de nanocompósito que fica sobre o teto rígido.


Segundo a marca, todas as camadas visíveis são visualmente transparentes, com a camada de 2 mm acompanhando a curvatura do teto e da superestrutura, maximizando o espaço útil de forma orgânica em toda a embarcação.
Este é um avanço significativo em muitos aspectos e com inúmeros benefícios, desde a sustentabilidade até a melhoria da experiência de navegação– disse Rodney Longhurst, presidente da Riviera
Por mais imperceptível que seja a pele solar, o resultado é evidente quando levamos em conta o espaço da embarcação. De acordo com a Riviera, as lanchas com este recurso produzem 120% mais energia com cerca de 90% a mais de cobertura de superfície em comparação com instalações convencionais.
Além disso, os painéis são 85% mais leves do que os sistemas de cobertura tradicionais e foram construídos com materiais que combinam com a própria estrutura de compósitos do barco, garantindo durabilidade contra sal, calor, movimentos em alto mar e impactos.
Há também a preocupação com a estética. Não à toa, ele foi produzido com uma aparência mais uniforme do que os painéis solares clássicos, justamente para seguir o padrão da lancha.
A integração da energia solar tinha que atender aos mesmos padrões estruturais e estéticos do próprio barco– explica Dan Henderson, diretor de design e engenharia da Riviera
A cobertura é descrita como “totalmente impermeável e praticamente inquebrável” e está disponível em acabamentos fosco, brilhante ou antiderrapante, afirma a Riviera.


O revestimento solar agora está incluído como opcional para os novos iates a motor Riviera, com projetos personalizados sendo finalizados para toda a linha.
Como funciona na prática?
De acordo com a Riviera, a pele solar já foi instalada em alguns modelos de barcos e testado por clientes. A primeira lancha que apresentou este revestimento foi a esportiva 6800 Yacht Platinum Edition, embarcação de 73 pés que foi recentemente entregue no sul da Austrália.


Conforme relata em seu site oficial, durante uma longa travessia que durou de Queensland até Adelaide, o modelo manteve os sistemas de bordo em funcionamento, incluindo equipamentos de navegação, refrigeração, iluminação e sistemas de controle digital.
Outra instalação recente de 1,8 kW, na Nova Zelândia, a bordo de uma 58 pés, gerou aproximadamente 10 kWh por dia, confirma o estaleiro. O volume de energia aumentou significativamente o tempo de permanência ancorado sem a necessidade de acionar o gerador.


Nas Ilhas Maurício, um barco a motor esportivo equipado com um banco de baterias de fosfato de ferro-lítio expandido conseguiu ficar até três dias fora da rede elétrica sem ligar um gerador, garante a Riviera.
Outro proprietário relata ter operado o ar-condicionado por mais de um dia e meio utilizando apenas energia solar armazenada. Como um todo, a pele solar sobre o teto rígido entrega menos horas de funcionamento do gerador, menor consumo de diesel e custos operacionais significativamente reduzidos, principalmente com combustível.
Os esforços pioneiros criaram uma solução engenhosa para reduzir a dependência de nossos barcos em relação à energia gerada ou fornecida pela rede elétrica– resumiu a empresa em comunicado
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