Projeto de vela muda a realidade de jovens há mais de duas décadas em Paraty

Instituto Náutico Paraty (INP) atua há 26 anos no Rio de Janeiro e já deu aula a mais de mil alunos

22/07/2026
Foto: Instagram @inpvela/ Reprodução

Não importa quanto tempo passe, velejar segue sendo uma poderosa forma de transformação social. Quem sabe disso muito bem é o Instituto Náutico Paraty (INP), organização que há 26 anos oferece gratuitamente aulas de vela para crianças e adolescentes da cidade.

A ideia do instituto surgiu em 1996, após a tradicional Regata de São Pedro que reuniu velejadores apaixonados pelo mar em Paraty. Tamanho sucesso deixou uma pulga atrás da orelha: e se a vela pudesse ir além do cenário competitivo e virasse uma ferramenta social?

Foto: Instituto Náutico Paraty/ Divulgação

Nascido nos anos 2000, o projeto surgiu, a princípio, para qualificar a mão de obra e ingressar mais pessoas no segmento náutico. Desde então, mais de mil jovens passaram pelo INP, com alguns seguindo carreira no setor como marinheiros, instrutores e profissionais da área.

Claro, teve quem seguisse outro rumo na carreira, mas, em comum, carregam valores aprendidos dentro e fora dos barcos, como disciplina, responsabilidade, trabalho em equipe, respeito ao próximo e consciência ambiental. Thuane Angela Sendreti, presidente do INP e ex-aluna formada pela iniciativa, explicou o intuito por trás das aulas.

O nosso objetivo sempre foi formar pessoas por meio da vela. O esporte é um instrumento para ampliar horizontes e criar oportunidades– resumiu Sendreti

E poucas pessoas podem falar tão bem do Instituto Náutico de Paraty quanto ela. Vindo de uma comunidade carente, ingressou ativamente no projeto, competiu em regatas, conseguiu bolsa para intercâmbio nos Estados Unidos, se formou em direito e, além de ser defensora público do estado do Rio de Janeiro, preside o INP.

Foto: Instituto Náutico Paraty/ Divulgação

Fora Thuane, a iniciativa é encabeçada por Gibrail Rameck Junior, vice-presidente e um dos fundadores, e Luiz Gatti, cofundador. “O que a gente entendia (eu e o grupo de pessoas que fundaram o INP), é que precisávamos fazer alguma coisa para essa comunidade local, em função do aumento das embarcações de esporte e recreio que foram chegando”, disse Gatti, relembrando o começo do projeto.

 

“A mudança é incrível. Tenho fotografias de 1991 de onde é hoje a Marina Farol de Paraty, junto a Marina do Engenho, onde tinham três, quatro barcos, e hoje tem centenas”, comentou Gatti sobre o crescimento náutico na região.

A transformação que eu vejo é realmente a oportunidade de que os alunos tenham esse contato com o mar, que tenham esse aprendizado de como é que funciona um barco a vela e como é um trabalho em equipe– contou à NÁUTICA

Um projeto em expansão

Como a iniciativa recebe jovens que, em sua maioria, nunca tiveram contato com a vela, a ideia é que a formação aconteça de forma gradual. Pensando nisso, o primeiro contato com a modalidade é realizado em um barco-escola, desenvolvido especialmente para quem nunca velejou.

Foto: Instituto Náutico Paraty/ Divulgação

Depois, os alunos evoluem para diferentes classes de embarcações, participam de treinamentos e, conforme o desenvolvimento técnico, podem representar Paraty em competições estaduais e nacionais. Tanto é que, nos últimos anos, eles começaram a integrar com frequência o calendário da vela brasileira.

 

Em 2025, participou da Semana de Vela de Monotipos de Ilhabela, da Copa Brasil de Vela e foi selecionado pela Confederação Brasileira de Vela (CBVela) para o programa Flotilhas Emergentes. A evolução levou à criação, em 2026, de um Programa de Alto Rendimento voltado aos alunos com perfil competitivo.

Foto: Instagram @inpvela/ Reprodução

Inclusive, nesta próxima quinta-feira (23), acontecerá a regata da Flipinha e, entre 22 e 26 de julho. De 14 a 18 de agosto, a equipe encarará a 1ª Semana de Vela de Paraty e, em dezembro, o 3º Circuito Tamandaré de Regatas. No entanto, para o INP, subir ao pódio nunca foi o objetivo principal, mas, sim, trilhar um caminho de oportunidades para desenvolver autonomia, resiliência e convivência em equipe.

 

 

Além das aulas de vela, o INP ampliou neste ano ainda mais o caminho com a criação da Escola do Mar, desenvolvido em parceria com a Unidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) através do Núcleo Interdisciplinar de Desenvolvimento Social (NIDES) e com o apoio cultural da Fundação Taiamã. A iniciativa oferecerá cursos gratuitos de extensão nas seguintes áreas:

  • Elétrica náutica (17 a 29 anos);
  • Mecânica náutica (17 a 29 anos);
  • Fibra de vidro (17 a 29 anos);
  • Carpintaria naval (14 a 29 anos).

As vagas são limitadas e o ingresso será realizado por meio de processo seletivo. Para participar, precisa preencher o formulário de inscrição.

Como participar das aulas de vela

Atualmente, o Instituto Náutico Paraty atende cerca de 40 crianças e adolescentes de 10 a 18 anos, com uma lista de espera devido à alta demanda — neste momento, há vagas somente para 2027. O projeto é gratuito, prioriza estudantes matriculados na rede pública e incentiva a participação feminina na vela.

Foto: Instituto Náutico Paraty/ Divulgação

As inscrições são feitas presencialmente ou pelo WhatsApp, com novas turmas abertas conforme vagas surgem.

Para nós é uma alegria muito grande poder proporcionar essa mudança na vida das pessoas– fechou Gatti

 

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