CBVela lança guia sobre convivência com baleias no litoral paulista; confira
Documento foi apresentado durante a Regata Volta da Ilha das Cabras, no Guarujá, no último sábado (7)


Para navegar em harmonia com as águas, é necessário, acima de tudo, saber conviver com quem mora nelas. Pensando nisso, foi lançado neste sábado (7), durante a Regata Volta da Ilha das Cabras, o Guia Velas e Baleias no Litoral Paulista, documento que reúne, em linguagem acessível, as normas brasileiras e as diretrizes internacionais sobre a convivência responsável entre embarcações e cetáceos no Estado de São Paulo.
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O anúncio do lançamento ocorreu durante a regata organizada pelo Iate Clube de Santos (ICS), no Guarujá. O arquivo tem 22 páginas e aborda vários assuntos sobre a convivência entre baleias e barcos na água, divididos nos pontos que podem ser observados na imagem a seguir:


O guia consolida as normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além das diretrizes da World Sailing e do Grupo Consultivo de Mamíferos Marinhos (Marine Mammal Advisory Group).
Por meio da colaboração com o Instituto Gremar, são apresentadas também as boas práticas de velejadores e organizadores de regatas ao encontrar um animal marinho na região que contempla Bertioga, Guarujá, Santos e São Vicente. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Confederação Brasileira de Vela (CBVela), o VIVA Instituto Verde Azul e o ICS.


Por dentro do guia
Conforme mencionado, o guia abrange tanto normas gerais de convivência com baleias quanto regras específicas para velejadores em competições de regata. Algumas das normas, por sua vez, servem para todos os tipos de barcos, sejam motorizados ou não:
- Não devem se aproximar até menos de 100 metros dos animais e, quando houver motor, ele deve estar desengatado;
- Quando duas embarcações estiverem se aproximando simultaneamente de um animal, não é recomendada a aproximação de uma terceira;
- A terceira embarcação que pretende se aproximar dos cetáceos deve aguardar a uma distância de 300 metros das outras até que uma delas se afaste mais de 300 metros do animal;
- Não navegar a uma velocidade superior a cinco nós (aproximadamente 10 km/h), nem fazer mudanças bruscas de direção ou velocidade na presença de cetáceos que estejam a menos de 300 metros da embarcação;
- Não acompanhar cetáceos por mais de 30 minutos.
O documento ainda agrega à legislação brasileira as diretrizes emitidas pela World Sailing sobre o tema, esses sim direcionados especificamente para velejadores e organizadores de regatas.
Há uma conexão total entre as normas brasileiras e as diretrizes da World Sailing. A prioridade absoluta é manter o afastamento entre barcos e animais, para a segurança de todos– resume Sandra Di Croce Patricio, Gerente de Sustentabilidade da CBVela


As diretrizes no documento, por sua vez, abrangem regatas costeiras e oceânicas e trazem pontos importantes para a harmonia entre o animal e embarcações à vela. Confira alguns:
- Em ambos os casos (regatas costeiras ou oceânicas), caso haja avistamento de animais da megafauna marinha antes do início da regata, a orientação é atrasar a competição para 20 minutos após o último avistamento, ou alterar seu percurso;
- Para regatas costeiras, caso sejam avistados animais durante a competição, é sugerido que interrompa a prova para adotar medidas de prevenção de colisões e retomar a competição somente após 20 minutos do último avistamento;
- No caso das regatas oceânicas, a prática não precisa ser interrompida, porém medidas importantes devem ser adotadas (como ajustar a velocidade e a trajetória do barco) a fim de manter o afastamento dos animais.
O guia oficial já está disponibilizado no site da CBVela e pode ser conferido aqui.
Chegou em boa hora
O tempo para a publicação do guia não poderia ser mais oportuno. Acontece que no dia 18 de março, a World Sailing, instituição responsável pela modalidade da vela em nível global, realizará uma palestra virtual ao vivo sobre normas de segurança para a interação de embarcações com a megafauna marinha.
O mar é a nossa raia, mas, acima de tudo, é um ecossistema vivo e compartilhado– afirmou Daniel Azevedo, presidente da CBVela


Mia Morete, pesquisadora e fundadora do VIVA, explica que o litoral paulista concentra 32 espécies de cetáceos, entre eles a baleia-jubarte, a baleia-de-bryde e a baleia-franca-austral — esta última ameaçada de extinção. “Quem está no mar ou no oceano pode contribuir efetivamente para a conservação da vida marinha ao simplesmente seguir as orientação baseadas na ciência e na pesquisa”, defendeu a cientista.
Vale ressaltar que o Brasil será a sede da próxima edição do mundial da World Sailing, que ocorrerá em Fortaleza, capital do Ceará, em 2027. As categorias selecionadas para a disputa são: Fórmula Kite, IQFoil, ILCA (Laser) e vela paralímpica.
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