ABVO divulga calendário de Vela de Oceano até o fim do ano
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A ABVO (Associação Brasileira de Veleiros de Oceano) divulgou, nesta semana, o calendário até o final da temporada na retomada das competições de Vela de Oceano.
O calendário é provisório e pode sofrer alterações de acordo com questões sanitárias de cada estado e município por conta da pandemia da Covid-19. O retorno está previsto para 15 de agosto, cerca de cinco meses após a última competição realizada em março. A primeira parada será no Guarujá (SP) com a Taça ICS Cabras, no Iate Clube de Santos.
Em setembro, estão previstos o Ubatuba Sailing Festival, 18º Circuito de Vela Oceânica de Salvador, na Bahia, 29º Circuito Conesul, no Rio Grande do Sul, Circuito Santista, além da 2ª etapa da Copa Suzuki, em Ilhabela.
Outubro será marcado pela 70ª edição da Regata Santos – Rio, no dia 23, edição histórica da mais antiga competição de vela oceânica do país organizada pelo Iate Clube de Santos e o Iate Clube do Rio de Janeiro. Em seguida será comemorado os 50 anos do Circuito Rio em conjunto com o Campeonato Brasileiro da classe ORC. O mês será aberto no dia 10 com a tradicional REFENO entre Recife e Fernando de Noronha.
O destaque de novembro é para o Campeonato Brasileiro de IRC e RGS, realizado em Ilhabela (SP) de 20 a 22 em conjunto com o primeiro final de semana da 3ª etapa da Copa Suzuki.
Em dezembro, as regatas finais com os aniversários do Clube dos Jangadeiros e Veleiros do Sul, ambos em Porto Alegre (RS), a Preben Schmidt, em Niterói.
“Finalmente a Vela de Oceano está voltando, com orientações e protocolos específicos creio que consigamos dar início a um novo calendário. Serão realizadas as Regatas, desde que se sigam alguns protocolos que iremos divulgar e que as condições sanitárias assim o permitirem”, disse Mario Martinez, comodoro da ABVO.
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Confira o Calendário da ABVO de Veleiros de Oceano:
AGOSTO
15 de ago. Taça ICS – Cabras ICS Guarujá
SETEMBRO
5, 6 e 7 de set. Ubatuba Sailing Festival e Camp Paulista Oceano 2020 UIC Ubatuba
5 a 7 de set. 18o Circuito Salvador de Vela Oceanica ICB Salvador
12 de set. Campeonato Santista CIR Guarujá
19 a 20 de set. 29o. Circuito Conesul de Vela Oceano VDS Porto Alegre sendo – 19 de set. 50o. Regata Trofeu Seival / 31o. Regata Trofeu Farroupilha/ 22o Velejaço Farroupilha VDS Porto Alegre
19, 20 e 26, 27 de set. 2a. Etapa – Circuito Ilhabela – Copa Suzuki YCI Ilhabela
OUTUBRO
10 de out. 32o. Refeno CIC Recife 10 a 12 de out. Troféu das Ilhas UIC Ubatuba 17 de out. Taça ICS – Arvoredos ICS Guarujá
23 de out. Largada 70o. Regata Santos – Rio ICS Guarujá
24 e 25 de out. Trofeu Cayru de Vela de Oceano CDJ Porto Alegre
30 de out até 2 de nov. 51o. Circuito Rio ICRJ Rio de Janeiro
30 de out até 2 de nov. Campeonato Brasileiro de ORC ICRJ Rio de Janeiro
31 de out. Ele & Ela / Eles & Elas UIC Ubatuba
NOVEMBRO
07 de nov. Campeonato Santista CIR Guarujá
20 a 22 de nov Campeonato Brasileiro de IRC YCI Ilhabela
20 a 22 de nov Campeonato Brasileiro de RGS YCI Ilhabela
21, 22 e 28 de nov. 3a. Etapa – Circuito Ilhabela – Copa Suzuki – 28/11 RegataVolta Ilha YCI Ilhabela
DEZEMBRO
05 de dez. Regata da Marinha CIR Guarujá
06 de dez. Aniversário CDJ – regata oceano e velejaço CDJ Porto Alegre
12 de dez. Regata Preben Schmidt RYC Niterói
13 de dez. Regata Almirante Tamandaré CNC Niterói
13 de dez. Aniversário VDS – regata oceano e velejaço VDS Porto Alegre
20 de dez. Regata Tamandaré – Marinha do Brasil VDS Porto Alegre
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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