Saiba como o abandono de barcos está danificando os oceanos e a vida marinha

Por: Redação -
19/03/2021
Imagem: Alvin Baez/Reuters

Para onde vão os barcos antes de morrer? Alguns são levados para aterros e podem ter seus materiais reutilizados. Entretanto, a maioria das embarcações mundo afora é simplesmente descartada no oceano, sobretudo pequenas embarcações — mais antigas — e construídas com fibra de vidro.

 

Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações

Em um estudo publicado pela professora Corina Ciocan, da Universidade de Brighton, no sul da Inglaterra, é detalhado que o descarte casual de barcos feitos de fibra de vidro está prejudicando a vida marinha costeira.

 

O problema de gerenciamento e descarte de barcos em fim de vida se tornou global. Inclusive, algumas nações insulares estão preocupadas com aterros já sobrecarregados, segundo dados do estudo publicado no site The Conversation

 

A resistência e durabilidade da fibra de vidro transformou a indústria náutica e possibilitou a produção em massa de pequenas embarcações de lazer, sobretudo. No entanto, os barcos que foram construídos no “boom” desse material, nas décadas de 1960 e 1970, estão morrendo.

 

Além disso, para intensificar o problema, as famosas temporadas de furacões no Hemisfério Norte causam estragos em marinas espalhadas pelo Caribe e no sul dos Estados Unidos.

 

Por exemplo: em 2017, depois que os furacões Harvey, Irma e Maria, que atingiram os estados americanos do Texas, Flórida, e países como Porto Rico, 63 mil barcos foram danificados ou destruídos, segundo dados do mesmo estudo.

 

De acordo com Corina, a maioria dos barcos acabam indo para aterros sanitários. No entanto, muitos também são descartados no mar, geralmente fazendo um simples furo no casco e deixando-o afundar em algum lugar da costa e, às vezes, nem isso.

Imagem: Andreas Berthold/Alamy

Leia mais:

>> Músico improvisa palco flutuante e planeja turnê aquática pela Europa

>> Cooperativa tenta reviver a tradição de construir barcos de madeira na Nova Escócia, no Canadá

>> Sem passeio de gôndola: canais de Veneza secam devido à falta de chuvas e maré baixa

 

Em cima disso, pesquisadores da Universidade de Plymouth encontraram altas concentrações de cobre, zinco e chumbo em amostras de sedimentos em dois estuários no leste da Inglaterra. Sendo assim, resquícios desse tipo representam perigos para a saúde humana e surgem de produtos químicos ou materiais usados ​​nos barcos, como: borracha, plástico, madeira, metal, têxteis e, claro, óleo.

 

Fora isso, segundo a professora de biologia marinha, a fibra de vidro é filtrada por crustáceos marinhos. Em uma pesquisa que realizou, encontrou 7 mil pequenos fragmentos em ostras da região sul da Inglaterra.

 

Essas micropartículas são as resinas que mantêm a fibra de vidro unida e contêm “ftalatos”, um grande grupo de produtos químicos associados a graves impactos na saúde humana.

 

Barcos abandonados são, agora, uma visão comum em muitos estuários e praias, com vazamento de metais pesados, partículas de fibra de vidro e ftalatos. “Devemos começar a prestar atenção aos perigos que representam para a saúde humana e às ameaças à ecologia”, finaliza Corina Ciocan. 

 

Por Gustavo Baldassare sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

 

Gostou desse artigo? Clique aqui para assinar o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e receba mais conteúdos.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Rebocador Laurindo Pitta retoma famoso passeio marítimo pela Baía de Guanabara após reparos

    Único navio brasileiro remanescente da Primeira Guerra Mundial leva visitantes para roteiro com quase 20 pontos turísticos. Saiba como participar!

    Da África do Sul ao Brasil: velejadores brasileiros concluem Cape2Rio e podem conquistar pódio

    Tradicional regata teve largada no dia 27 de dezembro e conta com uma das maiores flotilhas brasileiras na história da competição

    Já pensou navegar em uma Lamborghini? SEABOB lança modelo em parceria com a marca italiana

    Novo SEABOB SE63 promete "um salto transformador em relação aos modelos anteriores". Estimativas sugerem que o "brinquedo" custe R$ 168 mil

    Vínculo improvável: mergulhador afirma ter feito amizade com golfinho na Grécia

    Conexão inusitada ocorreu em 2020 e, desde então, dupla teve encontros não agendados e brincadeiras com plásticos encontrados na água

    Histórico barco de corrida vintage que já atingiu 167 km/h vai a leilão por valor milionário

    Famoso Miss America VIII foi construído em 1929 e chega repaginado com parelha de 1.860 hp para ser arrematado neste sábado (17)