Governo do Reino Unido libera esportes aquáticos e navegação na Inglaterra

Por: Redação -
13/05/2020

Atualmente, todas as formas de esportes aquáticos na Inglaterra, incluindo o uso de embarcações motorizadas de propriedade privada, estão autorizadas a prosseguir. Isso contrasta fortemente com as administrações da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, onde as marinas foram obrigadas a permanecer fechadas.

Em orientação emitida para a Inglaterra nesta manhã, o governo do Reino Unido confirmou que estão autorizadas “todas as formas de esportes aquáticos praticadas em cursos de água abertos, incluindo vela, windsurf, canoagem, remo, caiaque, surf, paddle e uso de embarcações motorizadas de propriedade privada (de acordo com as orientações emitidas pela autoridade de navegação relevante)”.

A notícia segue a publicação, no início desta semana, da estratégia de recuperação Covid-19 do governo do Reino Unido para a Inglaterra, que fornece informações importantes sobre o que a população pode fazer fora de casa.

A notícia foi recebida pela associação comercial britânica British Marine, cujos mais de 1 600 membros são provenientes das indústrias de lazer, superiate e pequenas indústrias marinhas comerciais do Reino Unido.

Embora as restrições às atividades ao ar livre tenham sido flexibilizadas, a British Marine diz que muitas das instalações de seus membros não tiveram tempo para implementar as medidas estabelecidas pelo governo para gerenciar com segurança o retorno dos serviços.

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A British Marine está, portanto, pedindo a todos os proprietários de barcos que considerem o seguinte antes de planejar sair de barco:

  • Planeje com antecedência – garanta a segurança das pessoas ao seu redor e tente evitar áreas que possam atrair muitas pessoas;

  • Esteja ciente de que muitas instalações ainda não podem abrir e isso pode afetar serviços como estações de combustível e de bombeamento;

  • Use seu barco somente se você puder aplicar o distanciamento social o tempo todo, inclusive ao atraca-lo, a uma distância segura de outras pessoas;

  • Viaje apenas com membros da sua família, se ninguém no grupo estiver com sintomas da COVID-19;

  • Você só pode encontrar pessoas que não estão em sua casa se aplicar o distanciamento social. Você não deve encontrar mais de uma pessoa fora de sua casa;

  • Esteja ciente do impacto nos serviços de emergência se tiver dificuldades. Pense em que ação você tomará se o seu barco quebrar – os serviços de manutenção podem não estar funcionando;

  • Aplique todas as precauções normais de segurança e sempre use um colete salva-vidas quando estiver no convés;

  • Bares e restaurantes não podem abrir normalmente – embora alguns possam oferecer serviços de retirada. Verifique com as empresas que deseja visitar antes de sair de casa;

  • Seja atencioso com os moradores locais, que podem estar nervosos com os riscos do aumento do número de pessoas na área.

Deve-se notar também que o governo não permite que a população deixe suas casas para “ficar em outra casa por um feriado ou outro fim”. Isso sugere que passar a noite em um barco não deve acontecer.

A British Marine entende que as autoridades de navegação interior e as autoridades portuárias também terão que considerar as orientações mais recentes do governo em relação a quais atividades serão permitidas em todas as partes do Reino Unido e como elas próprias retornarão à operação.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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