“Catedral do mar”: coral de 1.347 metros quadrados pode ter mais de 2 mil anos

Cientistas mediram e se impressionaram com o maior coral do gênero Porites já registrado — e ele fica em uma caldeira vulcânica

30/03/2026
Foto: NOAA Fisheries / Divulgação

“Uma estrutura majestosa, semelhante a uma catedral”. Assim cientistas descreveram o maior coral do gênero Porites já registrado. Essa obra-prima da natureza foi recentemente medida por pesquisadores do Serviço Oceânico Nacional dos Estados Unidos (NOAA), que se surpreenderam com o tamanho: cerca de 1.347 metros quadrados.

Embora conhecido há tempos pela comunidade das Ilhas Maug, no arquipélago das Marianas, no Pacífico Ocidental, o coral ainda

não havia sido devidamente medido. A tarefa, aliás, não foi simples.

Esse coral era tão grande que, na verdade, não conseguimos medi-lo com facilidade devido a restrições de segurança no mergulho– revelou o cientista Thomas Oliver em comunicado do NOAA

De acordo com os cientistas, toda a estrutura tem cerca de 31 metros no topo e 62 metros na base. Além do tamanho, outra característica que chamou a atenção foi a possível idade dessa “catedral do mar”: 2.050 anos.

Escala aproximada da colônia de corais comparada a ônibus escolares. Foto: NOAA / Divulgação

“Possível” porque é difícil cravar. Hannah Barkley, também cientista no NOAA, explicou que, como o coral formado por colônias da espécie Porites rus não produz bandas de crescimento como outros corais, os pesquisadores estimaram que ele cresça para fora, cerca de um centímetro por ano. “Então dá para imaginar que uma colônia desse tamanho seja bem antiga”, destacou.

Foto: NOAA Fisheries / Divulgação

Como se não bastasse, o local em que se encontra o coral também é motivo de fascínio pelos cientistas. Trata-se da caldeira vulcânica de Maug, tida pelos pesquisadores como um “laboratório natural”. O título se deve às suas exclusivas fontes de dióxido de carbono, que criam áreas de alta acidez no oceano, funcionando como um laboratório natural para estudar como corais e outros organismos podem reagir às mudanças climáticas.


No mesmo local, cientistas observam ainda o contraste entre um megacoral saudável e zonas mortas próximas às emissões de CO₂. O arquipélago das Marianas, de origem vulcânica e situado entre Filipinas e Japão, também abriga a Fossa das Marianas, o ponto mais profundo da Terra.

Maug é realmente um lugar muito especial– ressaltou Hannah Barkley

 

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