Maior colônia de corais já documentada fica na Austrália e foi encontrada por mãe e filha
Formação de quase 4 mil m² ocupa parte da Grande Barreira de Corais da Austrália e, segundo cientistas locais, trata-se da maior colônia já mapeada


Uma descoberta recente revelou o que cientistas acreditam ser a maior colônia de corais já documentada e mapeada no mundo. Essa formação fica na Grande Barreira de Corais, na Austrália, e é composta por corais pétreos da espécie Pavona clavus. Tão incomum quanto suas proporções, que cobrem uma área de aproximadamente 4 mil m², foi a maneira como esse gigante dos mares foi descoberto: por uma mãe e sua filha.
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As responsáveis pela descoberta foram Jan Pope e sua filha, Sophie Kalkowski-Pope. Elas realizavam um levantamento de recifes a partir da embarcação da família — para integrar o projeto Great Reef Census, coordenado pela Citizens of the Reef — quando se depararam com o grande achado.


Nunca tinha visto corais crescendo assim. Parecia que não parava de crescer-disse Jan, a mãe, que mergulha na região há 35 anos
Após o avistamento inicial de mãe e filha, uma equipe técnica utilizou métodos mais avançados para verificar as dimensões daquela estrutura de corais. Foi a partir da combinação de medições manuais subaquáticas, fotogrametria de superfície e modelagem espacial 3D de alta resolução que cientistas concluíram a famigerada proporção: quase 4 mil m².


Segundo a Citizens of the Reef, as maiores colônias desta espécie já documentadas internacionalmente costumam medir entre 30 e 35 metros de comprimento. Já o achado australiano soma 111 m de comprimento, com largura máxima de quase 60 m (conforme projeção acima).
De acordo com o grupo de pesquisadores, cientistas agora trabalham em testes genéticos para confirmar se a formação é uma única colônia originada de um único pólipo (pequeno organismo individual que forma a base das colônias de corais) ou uma fusão de múltiplas colônias que cresceram juntas.


Alerta ambiental
Apesar do entusiasmo com a descoberta, cientistas alertam que essa colônia de corais gigante não deve ser diretamente atrelada a um sinal positivo. Isso porque o tamanho da formação pode estar relacionado a pressões climáticas ou outros fatores específicos, que justificariam um crescimento desenfreado, por exemplo. Também por isso que a organização irá unir esforços para entender o que justificaria tamanha amplitude.


A colônia está localizada em uma área de fortes correntes marítimas e baixo índice de ondas de ciclones, o que também será estudado para entender como a estrutura persistiu por tanto tempo.
O Great Reef Census já pesquisou cerca de 25% da Grande Barreira de Corais da Austrália desde 2020 — ecossistema tão grande que pode ser visto a olho nu da Estação Espacial Internacional. “Descobertas como esta são significativas porque o recife ainda guarda muitas incógnitas. Isso demonstra por que os esforços de conservação da Grande Barreira de Corais são tão importantes”, declarou a filha, Sophie, em comunicado da organização.
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