Vídeo: praia do Litoral Norte de São Paulo é tomada por caranguejos

02/04/2026

Quem visitou a Praia do Camaroeiro, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de São Paulo, no último final de semana, notou algo diferente. Por lá, centenas de caranguejos conhecidos como “chama-maré” (Uca Leach) tomaram a faixa de areia — e atraíram olhares curiosos dos banhistas.

Além da quantidade, chamou atenção também o comportamento desses animais, sempre movimentando suas quelas — mais conhecidas como pinças ou garras. O vídeo a seguir, feito pela repórter Bruna Capasciutti, da TV Vanguarda, por volta das 14h30 do último sábado (28), ilustra bem o momento. Assista:

 

 

O que aconteceu?

Por mais inusitado que possa parecer, esse é um fenômeno esperado, que acontece anualmente. Acontece que na maré baixa — principalmente durante e após o verão — , os chama-marés se tornam “mais ativos”, conforme explicou a bióloga e diretora-executiva do Instituto Argonauta, Carla Beatriz Barbosa, ao g1.

 

Na prática, eles intensificam comportamentos visíveis e essenciais à sobrevivência, como, por exemplo, a reprodução.

Caranguejos na Praia do Camaroeiro, em Caraguatatuba. Fotos: TV Vanguarda/ g1/ Bruna Capasciutti/ Reprodução

Para atrair as fêmeas e defender território, os machos fazem esse movimento com as pinças — como é possível ver no vídeo. Trata-se de um comportamento natural da espécie, principalmente durante o período reprodutivo. O gesto, aliás, deu origem ao nome “chama-maré”, visto que o movimento dá a impressão de que o animal está acenando para o mar com o bracinho.

 

Após a reprodução, as fêmeas liberam as larvas no mar, que se desenvolvem em mar aberto até se transformarem em pequenos caranguejos, retornando então ao ambiente costeiro. Esse processo, segundo a bióloga, ocorre todos os anos e é essencial para o equilíbrio ambiental.

Isso porque, já na fase adulta, muitos caranguejos chama-maré se alimentam de detritos, contribuindo para a reciclagem de nutrientes — processo essencial para a cadeia alimentar, já que esses animais transformam o material em substâncias novamente disponíveis para plantas e micro-organismos.

É normal serem tantos assim?

A resposta é: depende. A quantidade pode variar de um ano para outro, sofrendo mudanças de acordo com a sobrevivência das larvas e as condições ambientais. Por isso, em determinados períodos, há maior concentração de indivíduos adultos, o que pode transmitir a sensação de uma movimentação atípica.

Caranguejo chama-maré. Foto: Portal de Zoologia de Pernambuco/ Aléssio F./ Reprodução

O lado bom é que eles não são um perigo para nós. Essa espécie não é considerada agressiva — e mesmo se fosse, não costuma passar dos 6 cm de altura. Portanto, para não interferir no ciclo natural da espécie, ao avistar caranguejos na praia, o recomendado é não capturar e nem pisar nos animais, além de não tapar os pequenos buracos que eles cavam.

 

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