Classe C30 volta a competir em Ilhabela após seis meses sem regatas
Líder Kaikias Via Itália, Caballo Loco, Caiçara e Loyalty são esperados para dar sequência à Copa Suzuki de Vela Oceânica neste fim de semana
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Apesar da paralisação devido à quarentena, a vigésima edição da Copa Suzuki – Circuito Ilhabela de Vela Oceânica, será concluída com mais duas etapas, em dois finais de semana de setembro e mais dois de novembro. Entre os 30 barcos esperados, a competitiva Classe C30 deverá ter quatro tripulações experientes: os líderes do Kaikias Via Itália, Caballo Loco, Caiçara e Loyalty, de Porto Alegre.
No único fim de semana de regatas pelo Circuito Ilhabela neste ano, em março, foram quatro vitórias do atual campeão da Copa Suzuki, Kaikias Via Itália e uma do Loyalty. A etapa de abertura deveria prosseguir no fim de semana posterior, mas foi interrompida pelos protocolos nacionais de segurança diante do coronavírus.
No feriado da Independência, a vela oceânica paulista retomou as regatas no Ubatuba Sailing Festival, com 40 embarcações. Após três dias de duelos acirrados na Classe C30, Kaikias Via Itália superou Caballo Loco apenas nos critérios de desempate. A etapa de 19 e 20, 26 e 27/9 deveria ser a terceira da Copa Suzuki, mas ocupará o espaço da segunda, cancelada em junho, assim como a Semana de Vela de Ilhabela, que seria logo em seguida, em julho.
A retomada será da forma mais segura possível, com todos os protocolos que a fase de quarentena ainda exige. O diretor de Vela do Yacht Club Ilhabela e comandante do Caballo Loco, Mauro Dottori, espera a emoção de sempre. “Convoco todos os comandantes a levarem suas tripulações a Ilhabela nos dois próximos finais de semana. Ainda haverá restrições em relação à confraternização no clube, mas na água, a festa está garantida”.
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Dottori revela que até o tradicional evento na varanda do clube após as regatas está planejado com segurança. “Estamos bem preparados para retomar a nossa gostosa farra da vela, com responsabilidade e muita disputa. Inclusive a canoa de cerveja, será oferecida aos velejadores de forma inusitada”. O aviso de regata informa que as cervejas serão distribuídas a todas as tripulações, ainda na água, logo após cruzarem a linha de chegada da última prova do dia.
O comandante do Loyalty, Alexandre Leal, destaca a motivação de retornar às raias de Ilhabela. “A tripulação está ansiosa para voltar a velejar, mas é claro que faltará ritmo. Estamos parados há seis meses. “Tivemos um bom rendimento na abertura do circuito. Os treinos do início do ano deram resultado. Estamos motivados para repetir o desempenho das primeiras regatas”, afirma Leal.
Com a entrada da frente fria, o Windguru prevê vento sul entre 8 e 13 nós com a temperatura máxima caindo de 28°C para 20°C entre sábado e domingo, que será chuvoso. Além da C30, a 2ª Etapa da Copa Suzuki estará aberta às classes IRC, HPE 25, RGS, Clássicos e Bico de Proa. A terceira e última etapa da temporada será nos dois últimos finais de semana de novembro. A Classe C30 correrá paralelamente a segunda e última etapa do Campeonato Brasileiro, iniciado em fevereiro, em Florianópolis.
Classificação da C30 na Copa Suzuki (5 regatas e 1 descarte)
1 – Kaikias Via Itália – Eduardo Mangabeira: 1+1+1+(2)+ 1 = 4 pp
2 – Loyalty – Alexandre Leal: 3+2+2+1+(4) = 8 pp
3 – Cabalo Loco – Mauro Dottori: 2+(3)+3+3+2 = 10 pp
4 – Caiçara – Pablo Lynn: (4)+4+4+4+3 = 15 pp
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.



