De emissora clandestina a restaurante refinado: conheça a história da Ilha REM

Construída no Mar do Norte para fugir das leis holandesas nos anos 1960, estrutura foi desmantelada pela marinha e hoje é um ponto turístico nos Países Baixos

31/08/2026
Foto: REM Island/ Divulgação

No começo dos anos 1960, as leis dos Países Baixos não permitiam transmissões comerciais de rádio e televisão para as massas, tendo emissoras unicamente de caráter educativo e de utilidade pública. Pensando em questionar a norma da época, um grupo de empreendedores teve uma ideia: erguer uma plataforma em pleno Mar do Norte, a cerca de 10 km da cidade de Noordwijk, fora das águas territoriais do país.

Como o governo tinha uma grande resistência em autorizar meios de comunicação de massa com viés comercial, o jeito que eles deram foi abrir um canal externo aos limites nacionais, mas ainda perto o bastante para que o sinal fosse espalhado para o continente. Na época, outros grupos já tentavam fazer isso com barcos, mas este plano seria diferente.

Ilha REM em 1964. Foto: Eric Koch for Anefo/ Wikimedia Commons/ Creative Commons/ Reprodução

Nascia assim, em agosto de 1964, a Ilha REM (sigla em holandês para “Empresa de Exploração Publicitárias”), uma estrutura de rádio e TV pirata permanente em meio ao Mar do Norte. Com um design curioso, a plataforma inovadora foi montada em um estaleiro da Irlanda e se parecia com aquelas usadas para extrair petróleo do fundo do mar.

Disruptiva naquela realidade, a emissora tinha caráter comercial, bem diferente dos demais canais daquele momento. Depois de fundada, a REM adotou o nome de TV Nordzee e transmitia uma série de enlatados importados dos Estados Unidos, como Zorro e Rin Tin Tin — além de exibir publicidade nos intervalos, algo também inusitado para a época.

Foi bom enquanto durou

Embora as autoridades holandesas estivessem claramente descontentes com as transmissões clandestinas, elas não possuíam o direito legal de as interromper. Isso até dezembro de 1964, quando foi aprovada a Lei REM, de caráter emergencial, que autorizou operações militares além de suas águas territoriais.

 

Na prática, o Mar do Norte foi dividido em seções continentais, com o leito marinho sob a Ilha REM, à qual a estrutura estava anexada, sendo declarada parte do território holandês. Cinco dias após a aprovação, o Corpo de Fuzileiros Navais embarcou na plataforma e pôs um ponto final nas transmissões. Um ano depois, a Rádio Noordzee voltou ao ar legalmente sob o nome TROS.

Ilha REM em 2006. Foto: Vanderven/ Wikimedia Commons/ Creative Commons/ Reprodução

Com o passar do tempo, a estrutura deixou de ter a função original e foi incorporada pelo governo, tornando-se um ponto estratégico para acompanhar o comportamento do clima e das marés — especialmente importantes para um país onde uma parcela significativa do território está localizada abaixo do nível do mar.

 

Após uma tentativa frustrada de vendê-la em 2004, o governo a desmantelou com um evento de despedida organizado por radioamadores. Desta maneira, acabava a Ilha REM da maneira que conhecemos, mas outra estava prestes a surgir.

A nova Ilha REM

Décadas após ser desativada, a estrutura foi desmontada e reconstruída no porto de Houthavens, localizada em Amsterdã, capital dos Países Baixos. Entretanto, ela já não opera nada relacionados às transmissões piratas nem mede altura de ondas. Agora, a plataforma é um refinado restaurante com vista para o mar, tornando-se um ponto turístico na cidade.

Foto: REM Island/ Divulgação
Foto: REM Island/ Divulgação

Por lá, os visitantes podem desfrutar de uma vista panorâmica do porto e do rio IJ, conhecida por ser a orla de Amsterdã, além de ver bem de perto um lugar que, mesmo diferente, conta um trecho da história da TV nos Países Baixos.

Foto: REM Amsterdan/ Divulgação
Visão de dentro do restaurante em REM. Foto: REM Amsterdan/ Divulgação

Mais do que um restaurante, o espaço abriga um bar, um terraço e um estúdio destinado a diferentes atividades, ocupando o que antes era a sala de transmissão da TV Nordzee. O cardápio combina referências das cozinhas escandinava, japonesa e mediterrânea, com opções que vão desde pedidos individuais até um menu degustação composto por cinco etapas.

Rooftop na Ilha REM. Foto: REM Amsterdan/ Divulgação
Foto: REM Amsterdan/ Divulgação
Gastronomia do restaurante na Ilha REM. Foto: REM Amsterdan/ Divulgação

O estabelecimento recebe o público de terça a sábado, das 17h à 1h. Para consultar outros detalhes, basta acessar o site oficial rem.amsterdam.

 

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