Estudo comprova que nível do mar subiu como previsto nos anos 1990

05/09/2025

Projeções do futuro feitas décadas atrás podem ser uma das maneiras mais eficientes de prever o que ainda está por vir. Embora a mistura de períodos pareça confusa, ela faz sentido. Um estudo publicado no último mês de agosto revelou que modelos climáticos da década de 1990 foram certeiros na previsão da elevação do nível do mar entre 1993 e 2023.

A análise, feita por pesquisadores da Universidade de Tulane, em Nova Orleans, e disponível na Earth’s Future, faz uma comparação entre os dados obtidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no relatório de 1995/1996 (IPCC-SAR), com as medições reais, obtidas por satélite no período de 1993 a 2023.

Foto: Lightitup_now / Envato

Os modelos climáticos de quase 30 anos atrás previram uma elevação global média entre 6 e 7 centímetros para o intervalo de tempo. O resultado real, por sua vez, passou muito perto ao contabilizar 8 centímetros. A pequena diferença, segundo o estudo, pode ser explicada pelo derretimento do gelo na Groenlândia e na Antártica.

 

Atualmente, sabe-se que as regiões contribuíram com cerca de 25% da elevação do nível do mar, mas esse era um assunto subestimado na época. Ainda assim, a previsão foi bastante precisa e revela que dados futuros provavelmente também estarão, especialmente levando em conta a tecnologia envolvida nos processos de pesquisa, que a cada dia evolui um pouco mais.

 

Torbjörn E. Törnqvist, um dos pesquisadores envolvidos, destacou que o resultado surpreendeu a equipe pela qualidade das projeções iniciais. Para ele, “isso é uma das melhores provas de que entendemos, há décadas, o que está acontecendo e de que podemos fazer projeções confiáveis.”


Enquanto isso, projeções ao redor do mundo mostram que cada vez mais cidades — e até países — entram para a lista das que serão afetadas pelo aumento do nível do mar. Recentemente, um estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) alertou para um futuro nada animador: algumas praias da cidade podem perder até 100 metros de areia até o fim do século.

 

Em maio de 2025, o Governo do Estado de São Paulo divulgou uma atualização do mapa de risco à erosão costeira nas praias do estado. O levantamento avaliou 109 praias, das quais 61 foram classificadas com risco alto ou muito alto de erosão — o que representa mais da metade das áreas analisadas.

Tuvalu deve se tornar inabitável em até 80 anos. Foto: UNDP/ ONU/ Reprodução

Já em Tuvalu, na Oceania, os moradores estão recorrendo a “vistos climáticos” cedidos pela Austrália para deixarem o país, que deve se tornar o primeiro do mundo a ficar inabitável por conta das mudanças climáticas.

 

Não à toa, os pesquisadores da Tulane reforçam que o aumento do nível do mar não é linear, embora siga uma tendência de aceleração que coloca em risco eminente as cidades costeiras. Estas, inclusive, devem registrar inundações cada vez mais frequentes.

 

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