A única mulher na Golden Globe: conheça a velejadora que pretende dar volta ao mundo sozinha

Helga Marie carregará a bandeira feminina entre mais de 20 participantes. Competição solo proíbe tecnologia moderna, escalas e assistência externa

31/05/2026
Helga Marie (Mara) Løvenskiold Kveseth será a única representante feminina na corrida. Foto: Golden Globe Race/ Divulgação

A missão está longe de ser fácil: encarar uma regata solo, sem escalas, sem tecnologia moderna e sem assistência ao redor do mundo. Sabendo disso, a norueguesa Helga Marie (conhecida como “Mara”), de 35 anos, não só topou o desafio mais difícil da sua vida, como será a única mulher a competir na famosa Golden Globe Race na edição de 2026, que começa em 6 de setembro.

Até o momento, esta que é uma das principais regatas de volta ao mundo soma 23 participantes, tendo Mara como a única representante feminina. Entretanto, a decisão da norueguesa não surpreende quem conhece seu estilo de vida — na verdade, parece até o caminho natural.

Foto: Classic Mara/ Divulgação

Capitã licenciada, ela acumula mais de 25 mil milhas náuticas de experiência em navegação e é ex-atleta de crossfit competitivo. Sua personalidade, marcada principalmente por sua independência e pela busca por desafios fora dos padrões, parece ter se encaixado perfeitamente com a proposta da competição.

Durante muito tempo, a vela neste nível teve uma determinada aparência. […] Quero desafiar isso discretamente, simplesmente sendo eu mesma– escreveu em seu site

Foto: Golden Globe Race/ Divulgação

Em seu site oficial — que está colhendo apoio financeiro para a regata –, Mara conta que possui interesse por “experiências extremas e desconfortáveis”. A velejadora é defensora da chamada “diversão tipo 2”: tarefas difíceis no momento, mas recompensadoras depois. Para quem tem uma vida moldada no mar, solidão e paciência, pode ser algo, no mínimo, interessante.

Como é a Golden Globe?

Não se trata de “qualquer” regata de circunavegação. Inspirada na edição original do Sunday Times Golden Globe Race, de 1968, a competição busca o estilo de navegação tido como tradicional. Sendo assim, os participantes não podem utilizar tecnologia moderna, tendo como únicos recursos apenas o sextante e a navegação astronômica.

Foto: Instagram @classicmara_/ Reprodução

As regras principais seguem a mesma linha: a navegação precisa ser solo, sem paradas e sem assistência externa. Serão aproximadamente 30 mil milhas náuticas durante cerca de 270 dias no mar. Na prática, Mara estará totalmente solitária a bordo de seu veleiro, sendo guiada pelas estrelas.

Travessia oficial da Golden Globe Race 2026. Foto: Classic Mara/ Golden Globe Race/ Divulgação

Além disso, as exigências não se resumem apenas à navegação. Para os barcos, todos os modelos devem ter sido projetados antes de 1988 e medirem entre 32 e 36 pés. A largada, marcada para 6 de setembro, acontecerá em Les Sables-d’Olonne, na França, com o percurso rumo ao leste. Vence a Golden Globe Race quem completar primeiro a volta ao mundo respeitando todas as regras da competição.

Mais pessoas estiveram no espaço do que completaram uma volta ao mundo dessa forma– salienta a norueguesa

Ela reconhece a natureza solitária da corrida como um dos maiores obstáculos, principalmente pela falta de alguém para consultar durante momentos críticos de tomada de decisão. Outra preocupação é a gestão da água — que a velejadora admite beber muita.

Foto: Golden Globe Race/ Divulgação

Mara é bastante ativa no Instagram, plataforma em que acumula mais de 90 mil seguidores e costuma compartilhar todas as suas experiências náuticas — o que contrasta com a natureza clássica da Golden Globe, já que a disputa proíbe o uso de celulares e outros aparelhos tecnológicos. A lista completa de restrições pode ser conferida aqui, no artigo B.6. Sobre isso, a velejadora já está ciente da necessidade de preservar o espírito único da corrida.

Seu companheiro de corrida

Veleiro Showgirl. Foto: Classic Mara/ Divulgação

O barco de Mara, batizado por ela de Showgirl, é um Saltram Saga 36, pensado para enfrentar o mar aberto e travessias longas. Por isso, possui um casco robusto, estável e previsível mesmo em condições difíceis.

Escolhi-a porque ela combina duas características que nem sempre andam juntas: robustez real em mar aberto e uma velocidade de casco surpreendentemente boa– explicou a velejadora

Conforme ela descreve em seu site, o veleiro entrega uma distribuição eficiente de peso e ainda é confortável (dentro do possível) para permanência prolongada a bordo.

Confira alguns detalhes técnicos do Showgirl

  • Tipo: Saltram Saga 36;
  • Comprimento: 10,6 m;
  • Boca: 3,23 m;
  • Calado: 1,6 m;
  • Deslocamento: 11,4 toneladas;
  • Quilha: Quilha completa.

Segundo as últimas atualizações publicadas em seu canal no YouTube, no dia 27 de maio, a velejadora chegou em Les Sables, na França, no dia 24 de maio. Ou seja, a partir de agora, definitivamente, começa à vera a preparação para a Golden Globe Race 2026. Confira a transmissão ao vivo da chegada de Mara no vídeo a seguir.

 

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Mil viagens movidas pelo sol: barco 100% elétrico solar revoluciona a navegação em Ilha Grande

    Idealizadores da embarcação pioneira em Angra dos Reis (RJ) revelam à Revista Náutica detalhes do processo de transformar barco a diesel em um totalmente movido a energia limpa

    Com o T36, Tank Boats estreia no mercado náutico durante o São Paulo Boat Show 2026

    Novo estaleiro firmou parceria com empresa sueca que testa e valida projetos navais. Primeira embarcação fabricada estará no evento

    Nova NX62 by Pininfarina será lançada no São Paulo Boat Show 2026

    Modelo de 60 pés promete recursos inéditos na categoria, inspirados em embarcações acima de 70 pés. Evento ocorre de 24 a 29 de setembro, no São Paulo Expo

    Coral 26 com nova configuração será destaque do estaleiro no São Paulo Boat Show 2026

    Estaleiro apresentará 26 pés com o sistema de controle por joystick Helm Master EX, da Yamaha, e motor de popa com potência de 200 hp; evento vai de 24 a 29 de setembro

    1.153 milhas: a travessia que apresentou a Victory Yachts ao Caribe

    Gui Guimarães conta como foi levar uma Victory 398 de Fort Lauderdale a Sint Maarten com um bladder tank cheio de gasolina em pleno Atlântico