Brasileirão volta com raízes náuticas em campo: veja clubes da Série A ligados ao mar 

Retomada do campeonato nacional após a pausa da Copa do Mundo coloca em destaque times que nasceram nas regatas, carregam símbolos marítimos ou têm relação direta com cidades portuárias

21/07/2026
O nome Vasco da Gama homenageia o navegador português que marcou a história das grandes navegações. Foto: Biblioteca Nacional de Portugal

Com o fim da Copa do Mundo e a retomada do calendário nacional, o Brasileirão volta a ocupar o centro das atenções dos torcedores. A Série A retornou no dia 16 de julho, com a abertura da 19ª rodada, e segue nesta terça-feira (21) com Atlético-MG x Bahia, às 19h30, na Arena MRV, em Belo Horizonte. A rodada ainda terá jogos até quinta-feira (23), encerrando o primeiro turno da competição.

Mas, além da rivalidade em campo, o retorno do campeonato também revela uma curiosidade pouco lembrada: vários clubes brasileiros têm ligações históricas, simbólicas ou territoriais com o universo náutico. Em alguns casos, essa conexão vem antes mesmo do futebol.

 

É o caso de Flamengo, Vasco, Botafogo e Remo, clubes que nasceram diretamente ligados às regatas e ao remo — esporte que teve enorme importância na formação esportiva do Brasil, especialmente no fim do século 19 e início do século 20. Outros times, como Santos e Bahia, carregam a relação com o mar por representarem cidades marcadas por portos, baías e cultura marítima. Já o Corinthians entra nessa história por uma curiosidade linguística: o “Timão” também tem significado náutico.


Flamengo: antes do futebol, as regatas

Um dos clubes mais populares do país, o Flamengo nasceu na água. A história oficial rubro-negra registra que, em 17 de novembro de 1895, foi fundado o Grupo de Regatas do Flamengo, criado por jovens interessados em competir no remo. Anos depois, em 1902, o crescimento da agremiação levou à transformação no Clube de Regatas do Flamengo, nome que permanece até hoje.

Flamengo surgiu como Grupo de Regatas. Foto: Arquivo

O futebol viria depois, mas a origem náutica ficou marcada no próprio nome do clube. Assim, cada vez que o Flamengo entra em campo no Brasileirão, carrega também uma história que começou com barcos, remos e disputas nas águas do Rio de Janeiro.

Vasco: nome de navegador e origem no remo

Poucos clubes têm uma ligação tão evidente com o mar quanto o Vasco da Gama. Além de homenagear o navegador português que marcou a história das grandes navegações, o clube foi fundado em 1898 como Club de Regatas Vasco da Gama.

Partida de Vasco da Gama para a Índia, por volta de 1497 d.C. Foto: Biblioteca Nacional de Portugal

A relação com o remo faz parte da identidade vascaína desde o início. Antes de se consolidar como uma das forças do futebol brasileiro, o Vasco já era uma agremiação náutica, formada em um Rio de Janeiro em que as regatas movimentavam clubes, atletas e torcedores.

Botafogo: futebol e regatas no mesmo nome

No caso do Botafogo, a conexão náutica também está no nome oficial: Botafogo de Futebol e Regatas. O clube atual nasceu em 1942, a partir da fusão entre o Botafogo Football Club e o Club de Regatas Botafogo.

Foto: Botafogo / Arquivo

A tradição no remo era forte antes mesmo da união com o futebol. Segundo o próprio clube, o Club de Regatas Botafogo foi o primeiro clube carioca campeão brasileiro de uma modalidade esportiva: o remo, em 1902.

Remo: o clube que leva a náutica no nome

Entre os participantes da Série A, o Clube do Remo talvez tenha a ligação mais direta no nome. Fundado em Belém, no Pará, o clube nasceu ligado ao esporte náutico e inaugurou sua sede náutica em 1905.

Sede Náutica do Remo. Foto: Clube do Remo / Divulgação

A identidade azulina tem relação com as águas da capital paraense e com a tradição fluvial da região. Nesse caso, o futebol veio depois, mas a origem do clube está literalmente no remo — modalidade que batizou a instituição.

Santos e Bahia: clubes de cidades ligadas ao mar

Nem toda conexão com o universo náutico vem da fundação do clube. O Santos, por exemplo, nasceu voltado ao futebol, mas representa uma cidade portuária e litorânea, profundamente marcada pela relação com o mar. A ligação, nesse caso, passa pelo território: porto, praia, navegação e cultura costeira.

 


O Bahia também entra nesse recorte por representar Salvador, cidade associada à Baía de Todos-os-Santos, ao litoral e à navegação. A conexão tricolor não é institucional como a de Flamengo, Vasco, Botafogo e Remo, mas territorial e cultural.

Corinthians: a curiosidade do “Timão”

O Corinthians não nasceu de regatas nem tem origem ligada ao remo. Ainda assim, o clube paulista pode aparecer nessa lista por uma curiosidade: timão também é o nome dado à roda ou barra usada para comandar o leme de uma embarcação.

Roda de leme. Foto: Wikimedia Commons / Reprodução

No futebol, o apelido virou sinônimo do Corinthians e de sua torcida. No vocabulário náutico, porém, o timão está ligado à condução do barco. A relação, portanto, não é histórica, mas simbólica — e ajuda a criar uma ponte curiosa entre o clube e o mundo da navegação.

 

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