Conheça o Museu das Dunas, na China, esculpido na areia da praia
Não importa muito qual seja a exposição em cartaz. Para quem visita o Dune Art Museum — ou, Museu das Dunas –, na China, o personagem principal é o próprio edifício. Visitá-lo é também uma experiência; ou melhor, a verdadeira experiência.
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Construído em um trecho de praia chamado Gold Coast Aranya, de frente para a Baía de Bohai, a 300 quilômetros de Pequim, o Dune Art Museum — como o próprio nome sugere — fica enterrado em uma duna de areia!


Inspirado na velha brincadeira de cavar a areia à beira-mar, o arquiteto Li Hu imaginou uma galeria de arte que ficasse escondida, como uma caverna misteriosa, sob as dunas da Gold Coast, com entrada de luz através de cavidades sinuosas, feito conchas de concreto.
Como se sabe, dunas são montes de areia móvel cujas formas variam de acordo com a direção do vento. No caso da Gold Coast, porém, essas dunas, formadas naturalmente ao longo dos anos, foram solidificadas pelas raízes profundas de arbustos nativos, o que significa que se mantêm estáveis, o que facilitou a construção da estrutura subterrânea, formada por uma série de túneis e grutas interligadas.


Enquanto do lado de fora o museu está totalmente integrado à natureza, seus espaços internos foram projetados como uma misteriosa rede subterrânea, que acomoda uma variedade de espaços, como galerias de arte, estúdios, uma sala de leitura e dez salas de exposição de diferentes tamanhos (três externas), além de um café e de áreas de recepção e de serviços.
As instalações são inspiradas em cavernas, a forma mais antiga de habitação humana, cujas paredes abrigaram algumas das primeiras obras de arte do homem. – Li Hu, da Open Architecture
A ideia, segundo ele, é proporcionar uma experiência verdadeiramente imersiva com a natureza, e ao mesmo tempo ajudar a preservar o ecossistema vulnerável das dunas.


Para isso, a equipe de trabalhadores — recrutada, em sua maioria, entre empregados dos estaleiros locais, por conta da capacidade de operar com moldes — escavou as dunas e esculpiu dentro delas uma extensa rede de concreto branco, totalizando 930 m² de área construída. Detalhe: quase todas as paredes, pisos, vidros e bares do museu foram feitos à mão, com o auxílio de moldes de madeira.
Uma escada em espiral leva até uma torre, espécie de mirante, único elemento arquitetônico que se destaca sob a duna. No futuro, o museu terá também um longo píer de madeira que se estenderá até uma rocha, dentro da Baía de Bohai, construindo um diálogo poético entre “a terra e o mar”.
A entrada principal é uma abertura em forma de túnel embutida na areia. Depois de percorrer um longo e escuro túnel, os visitantes chegam a um salão, iluminado suavemente por uma claraboia. Em seguida, o espaço se abre e se chega ao salão central de exposições, onde um feixe de luz desce do alto da cúpula.


Aí você pode escolher para onde ir, no labirinto de outras salas de exposições. A proposta é ir alternando passagens escuras com súbitos clarões nas salas principais, gerando assim múltiplos ambientes para os artistas exporem suas obras, aproveitando as mudanças da luz do dia.
Além disso, como as claraboias foram posicionadas de maneiras diferentes, graças a um estudo cuidadoso da trajetória seguida pelo sol ao longo do dia e das estações do ano, para quem olha de dentro do Dune Art Museum para fora, o céu e o mar apresentam um cenário distinto a cada momento, e essa jornada também faz parte da experiência.


Na China, muitas dunas de areia foram removidas pela ação do homem, por obstruírem a visão da linha do mar. Para o arquiteto Li Hu, dunas são obras de arte naturais, e não obstruções. Por isso, precisam ser preservadas.
O museu não está apenas integrado à natureza na forma, mas também em uma série de medidas de sustentabilidade. Por exemplo: o “telhado” coberto por vegetação e areia pode reduzir bastante o consumo de energia no inverno e no verão, enquanto claraboias de diferentes formatos e tamanhos fornecem iluminação natural.


Além disso, no ambiente interno a temperatura e a umidade permanecem constantes, por conta de um sistema de alta eficiência que bombeia o calor, com emissões zero, substituindo o ar-condicionado.
Com o passar do tempo, Li Hu espera que a arquitetura desse “santuário” interaja com a natureza, assumindo aparências diferentes. A expectativa é que desapareça progressivamente de vista, enterrado na areia sob a ação do vento, dando fluência a um ecossistema que vigora há milhares de anos.
Em resumo, arte, meio ambiente e arquitetura se combinam com um efeito extraordinário no Dune Art, um museu inspirado nas forças da natureza.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
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O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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