Conheça o país que pode desaparecer no mar antes de disputar uma Copa do Mundo

Para o Kiribati, participar do torneio em 2030 simboliza, também, voltar os olhos do mundo à crise climática e ao aumento do nível do mar

11/06/2026
Foto: Médicos sem Fronteiras / Federação de Futebol das Ilhas Kiribati / Divulgação

A maior Copa do Mundo da história vai reunir, a partir desta quinta-feira (11), nada menos que 48 seleções. Ainda que o número englobe 16 nações a mais do que o período entre 1998 e 2022, ele deixa de fora um país que sonha em participar da disputa antes de desaparecer do mapa: o Kiribati. Por lá, estar entre os nomes da lista até 2030 é muito mais que um sonho esportivo. É um apelo pelas mudanças climáticas.

Isso porque essa pequena nação, formada por 33 ilhas espalhadas pelo Oceano Pacífico, está ameaçada pela elevação do nível do oceano, causada, justamente, pelo aquecimento global. Na prática, o país corre o risco de ser engolido pelo mar entre 10 ou 15 anos, uma vez que seu ponto mais alto é de apenas 81 metros.

Foto: Federação de Futebol das Ilhas Kiribati / Divulgação

Nesse cenário, a Copa do Mundo de 2030 pode ser a última chance de os kiribatianos participarem da disputa. Não à toa, a federação de futebol do país (KIFF) fez um apelo à comunidade internacional, convidando dirigentes, técnicos e ex-jogadores a ajudarem no desenvolvimento do esporte no Kiribati, visando a construção de uma comissão técnica que viabilize a classificação do país ao torneio daqui a quatro anos.

Em Kiribati, o futebol é mais do que esporte. É uma forma da comunidade se manter conectada, compartilhar uma causa, ter identidade– contou Eriati Reebo, presidente da federação de futebol do país, ao ge

O caminho até a Copa é longo para o Kiribati

As Ilhas Kiribati já demonstraram oficialmente à Confederação de Futebol da Oceania (OFC) o interesse em se integrar ao futebol internacional. Embora o país seja reconhecido pela ONU, ainda não faz parte da Fifa e, por isso, não pode disputar vaga na Copa do Mundo.

 

O processo de filiação, porém, exige uma estrutura esportiva e administrativa robusta, com federação organizada, competições nacionais, calendário, programas de desenvolvimento e infraestrutura adequada — um desafio para Kiribati devido ao isolamento geográfico e aos recursos limitados.


Mesmo assim, o país mantém uma seleção nacional. A maioria dos jogadores vive na capital, Tarawa, enquanto outros atuam no exterior, em países como Fiji, Nova Zelândia e Austrália, destinos de comunidades kiribati que migraram por trabalho, estudo ou mudanças climáticas.

 

Segundo Eriati Reebo, o projeto vai além do futebol: busca chamar atenção mundial para os impactos da crise climática no Pacífico. Para ele, a Copa de 2030 pode ser uma oportunidade de discutir o futuro de nações ameaçadas pelo avanço do mar e questionar o que acontece quando um país desaparece, mas sua população e cultura permanecem.

 

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