Conheça o país que pode desaparecer no mar antes de disputar uma Copa do Mundo
Para o Kiribati, participar do torneio em 2030 simboliza, também, voltar os olhos do mundo à crise climática e ao aumento do nível do mar


A maior Copa do Mundo da história vai reunir, a partir desta quinta-feira (11), nada menos que 48 seleções. Ainda que o número englobe 16 nações a mais do que o período entre 1998 e 2022, ele deixa de fora um país que sonha em participar da disputa antes de desaparecer do mapa: o Kiribati. Por lá, estar entre os nomes da lista até 2030 é muito mais que um sonho esportivo. É um apelo pelas mudanças climáticas.
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Isso porque essa pequena nação, formada por 33 ilhas espalhadas pelo Oceano Pacífico, está ameaçada pela elevação do nível do oceano, causada, justamente, pelo aquecimento global. Na prática, o país corre o risco de ser engolido pelo mar entre 10 ou 15 anos, uma vez que seu ponto mais alto é de apenas 81 metros.


Nesse cenário, a Copa do Mundo de 2030 pode ser a última chance de os kiribatianos participarem da disputa. Não à toa, a federação de futebol do país (KIFF) fez um apelo à comunidade internacional, convidando dirigentes, técnicos e ex-jogadores a ajudarem no desenvolvimento do esporte no Kiribati, visando a construção de uma comissão técnica que viabilize a classificação do país ao torneio daqui a quatro anos.
Em Kiribati, o futebol é mais do que esporte. É uma forma da comunidade se manter conectada, compartilhar uma causa, ter identidade– contou Eriati Reebo, presidente da federação de futebol do país, ao ge
O caminho até a Copa é longo para o Kiribati
As Ilhas Kiribati já demonstraram oficialmente à Confederação de Futebol da Oceania (OFC) o interesse em se integrar ao futebol internacional. Embora o país seja reconhecido pela ONU, ainda não faz parte da Fifa e, por isso, não pode disputar vaga na Copa do Mundo.
O processo de filiação, porém, exige uma estrutura esportiva e administrativa robusta, com federação organizada, competições nacionais, calendário, programas de desenvolvimento e infraestrutura adequada — um desafio para Kiribati devido ao isolamento geográfico e aos recursos limitados.
Mesmo assim, o país mantém uma seleção nacional. A maioria dos jogadores vive na capital, Tarawa, enquanto outros atuam no exterior, em países como Fiji, Nova Zelândia e Austrália, destinos de comunidades kiribati que migraram por trabalho, estudo ou mudanças climáticas.
Segundo Eriati Reebo, o projeto vai além do futebol: busca chamar atenção mundial para os impactos da crise climática no Pacífico. Para ele, a Copa de 2030 pode ser uma oportunidade de discutir o futuro de nações ameaçadas pelo avanço do mar e questionar o que acontece quando um país desaparece, mas sua população e cultura permanecem.
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