Lembra dele? Barco encontrado durante obras da COP30 foi restaurado e recebeu visitação guiada

Ação promovida pelo Iphan foi conduzida por especialistas e apresentou importância do achado. Veja o antes e depois!

08/09/2025
Foto: Tainá Arruda / Divulgação

O comércio fluvial teve papel fundamental na consolidação de Belém (PA). Parte dessa história pôde ser revisitada no final de agosto, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou uma visitação guiada ao barco do século 19 encontrado soterrado durante as obras da COP30 — Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas que será realizada na cidade em novembro.

Descoberta em agosto de 2024, no Parque Linear da Nova Doca, a embarcação apresentava um avançado estado de corrosão, agora contornado por especialistas através de um restauro. A visitação integrou a programação do Mês do Patrimônio, que neste ano teve como tema “Participação Social, Territórios e Sustentabilidade”.

Foto: Tainá Arruda / Divulgação

Assim, a ação levou ao público a oportunidade de conhecer de perto um dos achados arqueológicos mais significativos da região, por meio de especialistas em arqueologia, profissionais em arquitetura, de restauro e técnicos do Iphan, que mediaram a visitação.

Eles foram explicando para a população o processo de como foi achado, de retirada, de manutenção, de conservação do bem, até o momento que a gente está hoje– comentou Augusto Miranda, arqueólogo do Iphan no Pará

Para a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, a embarcação é uma peça de extrema importância para a história da cidade. Segundo ela, o barco “possui um grande conteúdo arqueológico”, uma vez que Belém tem ligação direta através dos rios com os períodos de início da invasão e colonização.

Do achado à visitação

Até poder ser visto de perto pela população, o barco de quase 30 metros precisou passar por processos cuidadosos de restauro, que começaram em fevereiro deste ano. O metal que compõe a estrutura da embarcação apresentava altos níveis de corrosão, uma vez que ficou anos soterrado, exposto a todo tipo de produto químico.

Após o resgate nas obras da COP30, embarcação apresentava sinais de deteorização. Foto: Leonardo Macêdo/Ascom Seop / Agência Pará / Divulgação

Para ganhar vida novamente, especialistas atuaram na limpeza, estabilização e aplicação de produtos específicos para desacelerar o processo de deterioração e garantir a preservação futura. Veja o antes e depois compartilhado pelo Iphan:

 

 

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Tainá Arruda, arquiteta e restauradora da empresa contratada para realizar o trabalho de restauro, explica que “foi feito inicialmente um tratamento de limpeza mecânica, com muito cuidado na remoção dos sedimentos, e depois uma limpeza com água de baixa pressão”.

 

Segundo ela, todas as etapas foram parte de um cuidado progressivo, que também buscou compreender o estado da estrutura metálica do barco.

Importância histórica

Encontrado a partir de escavações arqueológicas nas obras da COP30, em contextos de licenciamento para obras públicas no Centro Histórico de Belém, o barco é considerado único, uma vez que ainda não se tinha notícias sobre achados do gênero na região.

Foto: Leonardo Macêdo/Ascom Seop / Agência Pará / Divulgação

As pesquisas sobre a embarcação seguem sendo atualizadas, mas pesquisadores já conseguem afirmar que se trata de um barco de pelo menos 100 anos. Sua estrutura é composta por ferro, embora existam suspeitas de que pedaços de madeira podem também ter feito parte do barco.


O local em que a embarcação foi encontrada, conhecido como antigo córrego das Almas, funcionava como um entreposto econômico e portuário — que depois foi transformado em um bairro comercial de forma abrupta.

 

O fato tem levado os estudiosos a acreditarem que o achado pode estar relacionado com o tráfego de mercadorias e pessoas. Pesquisas posteriores ainda devem indicar outras características, como se o barco funcionava a vapor ou se tinha operações mais modernas.

 

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