“Longe de ser rara”: cientistas encontram crustáceo gigante que pode habitar 59% dos oceanos

Novo estudo revela quase 200 espécimes de animal que tinha sido avistado pouquíssimas vezes

26/05/2025
Alicella gigantea registrado em novo estudo. Foto: Maroni et al/ Royal Society Open Science/ Divulgação

O que antes era considerado extremamente incomum, na verdade, pode ser algo mais frequente do que parecia. Uma nova pesquisa encontrou nada mais e nada menos do que 195 espécimes de um crustáceo gigante — com tamanho que pode chegar a 30 centímetros. Até então, ele era considerado extremamente raro pela ciência.

O animal em questão é o Alicella gigantea — um crustáceo primo distante do tatuzinho-de-jardim — , que havia sido avistado pela primeira vez no Pacífico Norte, em 1970. Desde então, a espécie passou quase 20 anos sem qualquer registro e movimentou apenas sete pesquisas.

Alicella gigantea. Foto: Wikimedia Commons/ Creative Commons/ Reprodução

Realizada por cientistas da Universidade da Austrália Ocidental e publicada na revista científica Royal Society Open Science, a pesquisa, de longe, é a mais completa sobre o anfípode de águas profundas. Ao todo, eles analisaram quase 200 crustáceos gigantes, assim como seu DNA mitocondrial.

 

Além de obter vários registros deles e estudá-los, os pesquisadores coletaram dados dessa espécie de 75 locais diferentes, nas profundezas dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. Sendo assim, os cientistas estimam que a espécie pode habitar 59% dos oceanos do mundo.

Há um crescente conjunto de evidências mostrando que A. gigantea deve ser considerada longe de ser rara– aponta a pesquisa

Segundo o estudo, o animal se trata de um anfípode de águas profundas amplamente difundida, com “uma distribuição global excepcional”, já que ele provavelmente consegue ocupar mais da metade dos oceanos, a expectativa é que tenham muitos mais deles espalhados pelo planeta.



Além disso, eles conseguem habitar uma grande área geográfica, mesmo que sua densidade populacional seja baixa quando comparado a outros tipos anfípodes.

Um pequeno gigante

O Alicella gigantea Chevreux — seu nome científico completo — pertence a ordem dos anfípodes, assim como os camarões e as lagostas, por exemplo. Entretanto, o crustáceo gigante, como o apelido sugere, é maior que todos eles: seu tamanho varia entre 24 e 30 centímetros.

Alicella gigantea registrado em novo estudo. Foto: Maroni et al/ Royal Society Open Science/ Divulgação

Enquanto muitos anfípodes são de coloração vermelha ou laranja — que os ajudam a “passar despercebidos” pelos predadores — os crustáceos dessa espécie são uniformemente brancos, o que indica sua falta de algozes.

 

Como muitos da ordem, os adultos de Alicella gigantea são principalmente necrófagos — ou seja, alimentam-se de restos e carniça. Devido a essa dependência, a espécie é suscetível a armadilhas com isca e pode sofrer com as mudanças na superfície do oceano.

Projeção mundial dos Alicella gigantea, mostrando os locais de amostragem de todos os espécimes sequenciados usados ​​no estudo. Foto: Maroni et al/ Royal Society Open Science/ Divulgação

Segundo a nova pesquisa, a espécie habita profundidades entre 3.890 e 8.931 metros, que casa com os primeiros registros do animal, em 1970, a 5 mil metros no fundo do mar. O Oceano Pacífico é apontado como o maior habitat potencial, seguido do Atlântico e Índico.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Teste Intermarine 70: mesmo barco, interiores diferentes

    Embarcamos em duas Intermarine 70 e navegamos para mostrar como a customização pode transformar uma mesma lancha em barcos distintos — sem abrir mão do conforto, do acabamento impecável e da experiência única a bordo

    De outra galáxia: estúdio britânico lança conceito fictício de megaiate do Star Wars

    Tradição da ThirtyC desde 2015, design foi projetado apenas para celebrar o Dia do Star Wars. O projeto, contudo, não sairá do papel

    Projeto que leva pessoas com deficiência visual para a vela abre novas turmas em São Paulo

    Iniciativa da Sailing Sense, criada em 2007 pelo velejador Miguel Olio, está com inscrições abertas. Primeira aulas devem começar ainda em maio

    Giallo Fly: Ferrari anuncia cor oficial do Hypersail, seu primeiro barco

    Pintura representa a "segunda alma" da Ferrari, já estampada em clássico dos anos 1960

    Mais de 3 mil moedas: maior tesouro viking da história da Noruega é encontrado

    De acordo com os arqueólogos, as peças são datadas de 980 a 1040 d.C. e originárias de vários países da Europa