Novo estudo reduz tamanho de baleia antes apontada como maior animal que já existiu

19/03/2024

Para a tristeza de todos os fãs da baleia Colossus, ela não é tão enorme quanto se imaginava. Um novo estudo publicado na revista PeerJ concluiu que esta espécie — de 39 milhões de anos atrás — não é a maior que já habitou os mares, e que a pesquisa anterior superestimou seu tamanho.

Segundo estudo do ano passado, uma equipe de pesquisadores apontou que a massa corporal da baleia estava entre 85 e 340 toneladas. Essa medida superaria em duas vezes a baleia-azul — que pesa entre 130 a 150 toneladas — , considerado o maior animal ainda existente.

 

 

Neste novo estudo, foi examinado o Perucetus colossus, uma baleia gigante do Eoceno (há cerca de 54 milhões a 38 milhões de anos) do Peru, para entender se ele era o maior animal de todos os tempos. Apesar de ter um corpo rechonchudo, seu peso teve novas estimativas e derruba a ideia do gigantismo da Colossus.

 

Com a utilização de diferentes métodos, agora foi estimado que a Perucetus pesava cerca de 60 a 70 toneladas, além de um comprimento de 17 metros. Assim, os autores desta nova pesquisa concluíram que a Colossus não era maior que as baleias azuis atuais.

Histologia óssea, extraída de antigo artigo sobre a Colossus, publicado em agosto de 2023. Foto: Divulgação

Nem mesmo em estimativas maiores o tamanho da Perucetus chegava perto da baleia-azul. Na mais otimista, as medidas atingiram 98 a 114 toneladas para um comprimento de 20 metros. Mesmo assim, esses valores ainda são bem menores que a pesquisa anterior.

 

Um argumento utilizado pela nova pesquisa é que a densidade do animal seria demais para permanecer na água, caso ele de fato fosse tão pesado como era sugerido.

Com o seu peso, este animal não conseguiria permanecer na superfície. Ele estaria nadando verticalmente o tempo todo, o que é impossível– Ryosuke Motani, autor principal da pesquisa ao Live Science

Reduzindo um monstro

Para “rebater” as antigas medidas, Motani e seu colega, Nicholas Pyenson, — paleontólogo de mamíferos marinhos do Museu Nacional de História Natural Smithsonian — examinaram o artigo original, publicado pelo Eli Amson — também paleontólogo.

Endireitamento da coluna vertebral da reconstrução publicada de Perucetus colossus, extraída do artigo publicado por Ryosuke Motani e Nicholas Pyenson. Foto: Divulgação

Assim, Motani e Pyenson criaram modelos 3D da Colossus e da baleia-azul, e fizeram suposições distintas sobre o cálculo de peso. Entretanto, Amson disse ao Live Science que mantém todas as conclusões de seu artigo e disse que o novo estudo não encontrou imprecisões factuais, mas apenas fez estimativas diferentes.

Estamos estimando a massa corporal de um animal extinto que é conhecido por um esqueleto muito fragmentado, então é claro que há bastante espaço para usar este ou aquele método– Eli Amson

Enquanto não há um esqueleto com crânio e dentes, o debate sobre o tamanho real da Colossus continuará existindo, junto com o desacordo entre os pesquisadores — e quem ganha com isso é a ciência.

Um colosso dos mares

Mesmo sendo bem antigo, sua primeira vértebra só veio a ser descoberta há apenas uma década, pelo paleontólogo peruano Mario Urbina Schmitt. Com cerca de 39 milhões de anos, o Perucetus é relativamente novo para a família basilosaurídeos, dentro da ordem Cetacea — que inclui baleias, golfinhos e botos.

Três costelas posteriores da Colossus, extraída de antigo artigo sobre a Colossus, publicado em agosto de 2023 . Foto: Divulgação

Seu nome complicado não é em vão: “Peru” tem origem no local onde foi descoberto; “cetus” quer dizer baleia em latim; e “colossus” significa “grande estátua” no grego antigo.

 

Mesmo sem o crânio ou os dentes do animal, suas características conhecidas indicam que a Colossus não era um predador ativo e se alimentava perto das profundezas do mar, segundo Giovanni Bianucci, principal autor de um estudo sobre a baleia, publicado em agosto de 2023.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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