Esferas de concreto no fundo do mar podem gerar e guardar energia

Cientistas propõem que estratégia pode abastecer milhares de casas devido à capacidade de armazenamento

20/05/2025
Foto: IEAA/ Divulgação

Mais uma vez, os oceanos podem ser a resposta para um mundo sustentável. Cientistas da Alemanha desenvolveram um projeto inovador conhecido como StEnSea, que utiliza esferas de concretos submersas nas águas para armazenar e gerar energia.

Feito em colaboração entre o Instituto Fraunhofer IEE e a empresa Pleuger, o projeto conta com apoio financeiro do governo alemão e de investidores privados. A ideia é utilizar a pressão do oceano para armazenar e liberar energia de forma limpa, renovável e eficiente.

Foto: IEAA/ Divulgação

Por mais estranho que possa parecer, a ideia de deixar bolas gigantes no fundo do mar tem lógica científica. O conceito envolve esferas ocas de concreto, que possuem uma válvula motorizada responsável por desempenhar um papel importante no processo de geração de energia.

 

O projeto utiliza bolas de concreto de 9 metros que somam 400 toneladas. Elas ficam enfileiradas e conectadas eletricamente em um sistema projetado para funcionar de maneira semelhante ao de armazenamento de bombeamento, que utiliza a força da água para gerar eletricidade, mas no ambiente marinho.

A lógica do sistema se baseia no uso de esferas conectadas à rede elétrica por meio de um cabo submarino. A eletricidade enviada serve para bombear a água para fora do interior das esferas, tornando-as ocas — já que a pressão da água ao redor mantém sua estrutura comprimida. As esferas permanecem assim, vazias, até que seja necessário ativá-las.

 

Quando há aumento na demanda por eletricidade — especialmente à noite ou em situações de apagão — a água volta a preencher essas esferas. Nesse processo, as válvulas e turbinas passam a operar como geradores de energia elétrica.

Foto: IEAA/ Divulgação

Esse processo aproveita a pressão natural do oceano para mover a água através de um duto para o interior das esferas. Dessa maneira, o sistema libera energia renovável de forma eficiente, sem gerar resíduos tóxicos ou emissões poluentes.

 

Além disso, ele pode abastecer milhares de lares graças à sua capacidade de armazenamento, estimada em cerca de 820.000 gigawatts-hora.

Olhar no futuro

Além de permitir o armazenamento de energia limpa e eficiente que contribui para a redução das emissões de carbono, as esferas de concreto têm uma vida útil estimada em 60 anos. Ou seja, é uma opção econômica e duradoura.

Foto: IEAA/ Divulgação

Vale ressaltar que o modelo também pode ser replicado em lagos profundos — sejam naturais ou artificiais. Esse cenário amplia as possibilidades de aplicação pelo mundo, como em costas da Noruega, Japão, Portugal, Brasil e Estados Unidos.

 

O projeto StEnSea já está em fase de implantação em diversos locais. Antes de 2026 está previsto que as esferas sejam submersas nos Estados Unidos, nas águas de Long Beach, perto de Los Angeles.

Foto: IEAA/ Divulgação

À medida que o projeto avança e ganha forma, é esperado que ele inspire outras iniciativas semelhantes ao redor do mundo.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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