Destinos Náuticos: São Paulo e seus pontos turísticos serão apresentados no Boat Show

22/09/2022

Com um litoral com mais de 700 km de extensão, o estado de São Paulo tem muitas opções para curtir o turismo náutico. Tanto em seu belo litoral, quanto em represas e rios no interior do estado, são diversas localidades propícios para navegação. Os principais destaques turísticos paulistas farão parte da exposição Destinos Náuticos no São Paulo Boat Show 2022.

Os destinos litorâneos do estado contam com ilhas, praias — algumas delas, escondidas — e até lagoas. São divididos entre Litoral Norte — com as cidades de Ilhabela, Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião — e Litoral Sul — como Bertioga, Guarujá, Santos, Peruíbe, Cananéia e outras cidades.

 

 

Na capital e no interior, as calmas águas de represas são boa pedida para passeios relaxantes e até para a prática de esportes. Abaixo, conheça alguns dos destinos da região.

Ubatuba

Destino que fica a cerca de 160 km de distância de São Paulo, Ubatuba é conhecida como capital do surfe no litoral paulista. Têm praias, ilhas e marinas espalhados pela região. Há também passeios de escuna e lancha que levam para praias mais distantes. Os pontos turísticos mais procurados na cidade vão desde a ilha Anchieta, onde existem as ruínas do antigo presídio e um espaço próprio para paradas de embarcações, ilha do Prumirim, praia de Itamambuca, onde são feitas as competições de surfe e a ilha das Couves, muito indicada para a prática de mergulho.

 

São Sebastião

A 200 km da capital, São Sebastião têm ilhas que são próprias para a prática de esportes e que abrigam barcos nas suas paradas. A ilha de Alcatrazes, que está no arquipélago do mesmo nome é o grande destaque. Ilha dos Gatos, das Couves e a Montão de Trigo, entre a enseada de Bertioga e o Canal de São Sebastião também são muito visitados.

 

Caraguatatuba

Caraguatatuba está a 175 km da capital e é ideal para a prática de atividades náuticas, como passeios de moto aquática, pesca esportiva, passeios de escuna e de lancha, pois existem marinas espalhadas por toda a cidade. Os lugares mais visitados pelos turistas são as praias como Martim de Sá, Tabatinga, Ilha da Cocanha e a do Tamanduá.

 

Ilhabela

A cerca de 130 km de distância da capital paulista, Ilhabela é conhecida como capital da vela e realiza diversos eventos náuticos. Com águas esverdeadas e belos cenários, tem as praias de Jabaquara, Bonete e da Fome entre as mais visitadas.

 

Represa de Guarapiranga

Um dos mais importantes reservatórios de água para os municípios do estado, a represa de Guarapiranga, na região sul da capital paulista, é point já tradicional para a prática de vela e de iatismo. Além de disponibilizar água para mais de quatro milhões de pessoas.

 

Represa de Jaguari/Jacareí

Situada dentro do município de Joanópolis, a cerca de 130 km de São Paulo, é recomendada para a prática de esportes náuticos e pesca.

 

Represa de Atibainha

A represa que fica na cidade de Nazaré Paulista, está a 150 km de distância da capital. Lá o passeio de barco até a barragem é muito procurado, além da prática de esportes, como o mergulho e a pesca esportiva.

 

Represa Paulo de Paiva Castro

Está situada entre os municípios de Mairiporã e Franco da Rocha, é muito visitada por quem pratica o remo e outros esportes.

 

Exposição Destinos Náuticos chega à 5ª edição

A Exposição Destinos Náuticos chega a sua quinta edição no São Paulo Boat Show 2022. Para ajudar os visitantes a conhecer alguns dos melhores lugares do Brasil para navegar, o salão náutico paulista apresentará um espaço exclusivamente criado para promover localidades com vocação náutica. São regiões com atrativos para todos os gostos!

 

São Paulo Boat Show 2022

Com 25 anos de sucesso, a histórica edição do São Paulo Boat Show em 2022 deverá reunir mais de 100 expositores, distribuídos por uma área climatizada de 30 mil m². O público vai conferir dezenas de novidades em lanchas, veleiros, jets, infláveis, motores, equipamentos, acessórios e serviços, além de atrações como destinos náuticos, palestras e objetos de luxo. Prepare o coração!

 

No ano passado, o São Paulo Boat Show movimentou mais de R$ 300 milhões em negócios com a comercialização de 320 embarcações, equipamentos e serviços durante os seis dias de exposição.

 

Anote aí!
SÃO PAULO BOAT SHOW 2022
Quando?
 De 23 a 28 de setembro
Onde? São Paulo Expo
Mais informações: saopauloboatshow.com.br

 

*Por Felipe Yamauchi, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

 

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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