Dia Mundial dos Oceanos: ONU propõe reimaginar o cuidado com as águas do planeta

Celebrada em 8 de junho, a data chama atenção para a preservação marinha e para os impactos da ação humana nos ecossistemas aquáticos

Por: Nicole Leslie -
08/06/2026
Foto: Giacomo Marchione via ONU / Divulgação

Oito de junho marca o Dia Mundial dos Oceanos — uma data oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008 para ampliar o debate sobre a importância do oceano e estimular ações de preservação. Em 2026, o convite é direto: reimaginar a forma como a humanidade enxerga e cuida das águas do planeta.

O tema deste ano reforça a ideia central de que, embora os oceanos cubram mais de 70% da superfície terrestre, produzam cerca de metade do oxigênio do planeta e sustentem bilhões de pessoas, ainda existe uma percepção equivocada de que seus recursos seriam inesgotáveis.

Foto: Renee Capozzola via ONU / Divulgação

O Dia Mundial dos Oceanos passou a funcionar como um marco anual para discutir conservação marinha, biodiversidade, impactos ambientais e limites dos ecossistemas. Nos últimos anos, esse esforço também ganhou reforço com as Avaliações Mundiais dos Oceanos (as chamadas WOAs I, II e III), conduzidas pela organização desde 2023 para acompanhar as condições dos oceanos em diferentes regiões do mundo, com relatórios anuais.

Dia Mundial dos Oceanos 2026

Neste ano, a ONU escolheu o verbo “reimaginar” como ponto de partida para a reflexão global. A proposta é pensar novas formas de relação com o oceano diante de desafios como poluição, aquecimento das águas e pressão crescente sobre os ecossistemas marinhos.

Foto: from_withlove / Envato

Em comunicado divulgado hoje, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que, em tempos turbulentos, o oceano lembra o quanto tudo está conectado — do clima às economias e à segurança alimentar.

Não podemos continuar tratando o oceano como se fosse ilimitado-afirmou


Iniciativas colocam os oceanos em evidência

No Rio de Janeiro, a instalação “A Sereia e o Grito dos Oceanos” marcou a data neste ano com uma escultura construída inteiramente com materiais reaproveitados. A partir de embalagens plásticas, garrafas PET, papelão e jornais, a obra transforma resíduos em reflexão sobre o impacto humano nos mares.

Instalação “A Sereia e o Grito dos Oceanos”, no Rio de Janeiro. Foto: Companhia Municipal de Limpeza Urbana / Divulgação

Do outro lado do mundo, na Inglaterra, o Liverpool FC promoveu a campanha “Reds for Red”, que relaciona a identidade vermelha do clube à coloração vibrante dos corais saudáveis que, quando ameaçados, perdem a cor. A ação, portanto, chama atenção para o branqueamento dos corais, fenômeno associado ao aumento da temperatura das águas e à poluição nos oceanos e mares.

Projetos apontam caminhos para proteger os oceanos

Apesar dos desafios, iniciativas ambientais e pesquisas surgem como esperanças positivas. No Brasil, por exemplo, além do país ter se tornado o primeiro a incluir educação oceânica no currículo escolar, também foi palco do lançamento do JAQ H1, o primeiro barco-escola do mundo movido 100% a hidrogênio (a embarcação foi destaque da edição 398 da Revista Náutica).

JAQ H1, destaque da edição 398 da Revista Náutica. Foto: Revista Náutica

Ainda em clima brasileiro, pesquisadores da Unesp, em São Paulo, identificaram que a semente de uma planta comum no país pode ajudar na remoção de microplásticos da água.

 

Mas Brasil afora também há esperanças: iniciativas no Havaí, por exemplo, transformam plástico retirado do oceano em asfalto, enquanto estudos investigam fungos capazes de degradar resíduos plásticos presentes nos mares e oceanos. Exemplos como esses reforçam que, embora os desafios sejam cada vez mais evidentes, também crescem as iniciativas que tentam reimaginar a relação da humanidade com as águas — justamente o convite proposto pela ONU neste Dia Mundial dos Oceanos.

 

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