Iceboat: veleiro de madeira encanta a internet deslizando no gelo

Barco de 1969 foi flagrado por Michael Busch sobre uma lagoa congelada em Nova York. Conheça outros modelos de "iceboats"

14/02/2026
A Miss Clella, um veleiro de madeira construído ainda em 1969, foi flagrada nas águas congeladas da baía de Great South. Foto: Michael Busch / Great South Bay Images / Reprodução

Barcos deslizando sobre as águas não são uma novidade. Mas e no gelo? Parando para analisar, “deslizar” faz até mais sentido nesse contexto, e é o que chamou atenção em um vídeo que vem ganhando força na internet. As imagens mostram um típico “iceboat”, justamente, deslizando sobre uma lagoa congelada entre as margens de Long Island e Fire Island, em Nova York, nos Estados Unidos.

Esse barquinho, flagrado por Michael Busch, é a Miss Clella, um veleiro de madeira construído ainda em 1969 que segue esbanjando muita classe na região da baía de Great South. Assim como outros iceboats, esse modelo se aproveita do vento e da superfície lisa para ganhar velocidade com seus “patins” de aço. Veja em ação:

 

 

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Sim, tal qual um patins, os iceboats têm o casco montado sobre patins de aço (geralmente dois na frente e um atrás), que reduzem o atrito e permitem velocidades altíssimas — eles podem atingir de 100 a 140 km/h, dependendo do modelo e das condições do gelo.

Foto: Michael Busch / Great South Bay Images / Reprodução

Embora pouco populares no Brasil — por motivos óbvios — os iceboats surgiram no século 17, principalmente nos Países Baixos, onde os canais congelados eram comuns no inverno. Por lá, eles foram primeiramente usados ​​para o comércio, mas logo evoluíram para embarcações de recreio.


Com o tempo, a prática foi se espalhando pela região da Escandinávia e por países como Alemanha e Rússia. Mais tarde, alcançou os Estados Unidos e o Canadá.

Tipos e classes de iceboats

Existem diferentes classes de iceboats, com regras específicas de tamanho e construção.

Ice Optimist

Essa é uma classe juvenil, inspirada no Optimist da vela tradicional. Não à toa, usa o mesmo mastro e vela do Optimist Internacional e é igualmente pensada para a formação de jovens velejadores.

Foto: Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação

DN Internacional

A “classe mais popular do mundo”, presente na América do Norte, Europa e Ásia. É um iceboat monoposto, com cerca de 3,6 metros de comprimento, mastro de quase 5 metros e vela de 60 pés².

Foto: Gretchen Dorian / US Sailing / Divulgação

Monotipo XV

A Monotipo XV é uma classe europeia tradicional, baseada em um projeto de 1932. Pode ser navegada por uma ou duas pessoas e segue regras rígidas de construção, praticamente inalteradas desde os anos 1930.

Foto: Pataki Attila István / Wikimedia Commons / Reprodução

Nite

Aqui o iceboat é um monotipo com fuselagem de fibra de vidro, dois assentos lado a lado e vela de 67 pés², também construído segundo especificações rigorosas. É conhecido pela uniformidade entre as embarcações, o que valoriza a habilidade do piloto.

Foto: Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação

Renegade

Classe caseira, criada em 1947 nos Estados Unidos, com foco em praticidade e transporte — o projeto original podia ser levado sobre o teto de um carro. Usa vela de 67 pés² e mastro aerodinâmico flexível.

Foto: Silver Fox Viz / Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação

Skeeter

A Skeeter é uma classe de alto desempenho, dividida nas subclasses A, B e C, todas limitadas a 75 pés² de área vélica.

  • Classe A: pode ter um ou dois tripulantes, com mastro mais alto e uso de materiais avançados, como fibra de carbono;
  • Classe B: dois tripulantes sentados lado a lado;
  • Classe C: versões menores, com mastro mais baixo e configuração para um ou dois tripulantes.
Foto: Four Lakes Ice Yacht Club / Divulgação

De forma geral, em um iceboat o velejador normalmente fica muito próximo ao gelo, sentado ou deitado parcialmente para reduzir a resistência ao vento. O controle é feito através de um leme traseiro e ajustes finos de vela.

 

A navegação exige leitura constante do gelo, já que rachaduras, áreas finas ou neve acumulada representam risco. Até por isso, pilotar um desses requer uma camada de gelo espesso e homogêneo (normalmente acima de 12 a 15 cm) e o uso de capacete, óculos, roupas térmicas e equipamentos de flutuação.

 

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