Pet premium: cão aproveita vida de luxo em megaiate envolto em vidro
Para muitos, conhecer o interior de um megaiate é um desejo quase que já guardado no campo das ilusões. Para o cachorro Buddy, contudo, essa é uma realidade diária. Isso porque o simpático golden retriever ostenta dias a bordo do Ulysses — uma das produções mais recentes do estaleiro holandês Feadship — e os compartilha com os meros mortais em seu perfil no Instagram.
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Até então, supõe-se que Buddy seja o cãozinho do discreto Graeme Hart, o bilionário empresário neozelandês dono da embarcação. O proprietário do barco opta por uma vida longe da grande mídia, enquanto seu cão segue o caminho contrário — para a alegria dos amantes de barcos, que podem, assim, desfrutar um pouquinho do megaiate.


O Ulysses da Feadship é mais um dos vários barcos de Hart, que usa sempre o mesmo nome para batizar seus brinquedos de luxo. O modelo atual foi adicionado à frota do estaleiro holandês em 2024, quando virou o parque de diversões de Buddy.
A vida do cachorro Buddy no megaiate Ulysses
Apesar de viver a vida de um pet premium, Buddy ainda é um cachorro. Por isso, seu lugar favorito do barco é também o mais espaçoso: o heliponto na proa. É por lá que ele consegue esticar suas patas correndo para buscar suas bolinhas de tênis que, vira e mexe, tem as águas do mar como destino final.


Na falta da bola, o cão tem ainda outras opções nada convencionais a pessoas comuns para seguir se divertindo. Entre elas está o passeio de helicóptero, que ele descobriu, recentemente, ser prazeroso.


Mergulhar em uma das quatro jacuzzis disponíveis a bordo também é um recurso bastante utilizado pelo cão — até porque, vivendo em alto-mar, não faz sentido ter medo de água.


Quando os recursos do megaiate parecem não mais satisfazer as necessidades de Buddy, uma carona até a costa parece ser a oportunidade ideal para experimentar iguarias locais e fazer uma caminhada relaxante à beira-mar.
Uma coisa é certa: dentro ou fora do barco, não faltarão mimos dos tripulantes para agradar o pet.


Megaiate Ulysses: uma embarcação envolta em vidro
Encomendado em 2020 e entregue em abril de 2024, o megaiate Ulysses, de 102,6 metros (336,7 pés), foi um verdadeiro desafio de construção para a Feadship. Isso porque o barco é o sucessor de um outro Ulysses, muito maior, que Hart teve por alguns anos.


O desejo do bilionário era manter os recursos e comodidades do barco maior, em uma embarcação menor, visando facilitar o acesso a ancoradouros e portos. Para isso, o estaleiro precisou repensar completamente o seu processo de construção, inclusive reduzindo a sala de máquinas e virando os motores para o “lado errado”, de forma que se encaixassem.
No final, o quebra-cabeças deu certo e liberou espaço para mais espaços sociais, como uma grande piscina e outras quatro jacuzzis. Além disso, a jogada ousada rendeu à Feadship seu único barco “envolto em vidro”.


Escada de vidro com ponte de vidro, pátio de vidro, jardim de vidro, janelas panorâmicas de vidro em todas as suítes de hóspedes, portas de correr de vidro, quebra-ventos de vidro… são muitos os detalhes do barco que carregam o material.
Falando nas suítes, até 20 hóspedes podem ser recebidos no megaiate, em nada menos que nove delas — e ainda 30 tripulantes viajam em alojamentos separados.


Para empurrar tudo isso e levar o cachorro Buddy de megaiate aos mais belos destinos, o Ulysses é equipado com dois motores MTU, que geram uma velocidade máxima de 18 nós (20,7 mph/33,3 km/h) — além de um alcance de 5 mil milhas náuticas (5.754 milhas/9,260 km) em cruzeiro.
O preço estimado dessa máquina é de US$ 275 milhões (mais de R$ 1,6 bilhão, na conversão de janeiro de 2025), sendo que o superiate Damen Yachting U-81, que acompanha o megaiate como barco de apoio, não está incluso no valor.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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