Ilhabelense e gaúcho lideram 47º Campeonato Brasileiro de Optimist

Por: Redação -
11/01/2019

Mais um dia de sol forte e vento médio em Ilhabela, enquanto o 47º Campeonato Brasileiro de Optimist já chega na metade. Nesta quinta-feira foram realizadas duas regatas para os Veteranos, que já completaram seis, tanto na flotilha azul quanto na amarela, e mais duas para os estreantes, que fizeram quatro regatas até o momento e definirão seu campeão nesta sexta-feira. Gustavo Glimm, do Veleiros do Sul, assumiu a liderança dos Veteranos, enquanto Erik Scheidt, da Escola de Vela Lars Grael, segue em primeiro entre os estreantes. A competição segue até o dia 15 na Escola de Vela Lars Grael, no Pequeá, e é aberta ao público.

Na água, além dos 220 velejadores, estão os técnicos – 40 no total – e ao menos 20 botes tripulados por pais e mães. Os pais têm papel fundamental no apoio dos velejadores antes e depois da regata, não só na hora de montar o barco, saber a programação do dia, mas também dar apoio moral entre uma prova e outra.

“Acompanhar a filha na água é uma experiência diferente, por que quando estamos em terra a notícia vem pelo celular e quando estamos na água dá para saber o que aconteceu na regata toda. No início ela nunca quer que eu vá, mas depois quando acaba a regata sempre vem perguntar como é que foi”, disse Gastão Furlin, pai da Brenda Furlin, do Iate Clube de Santa Catarina.

Mas nem sempre os pais conseguem ir para a raia ver seus filhos. “É uma agonia ficar em terra enquanto ele vai para a água. A mãe ficou em casa passando mal. Mas o que eu sempre falo é para ele ir e se divertir. Eu ajudo ele a desmontar o barco por que sei que deve estar cansado depois da regata, passou o dia debaixo de sol muito quente, mas acho que é ele quem tem que cuidar do barco, montar do jeito que ele gosta”, disse Renan Alves, pai do Felipe Alves, do Clube de Regatas Guanabara.

“É bom ter meu pai comigo, por que ele está sempre por perto para me ajudar. Ele me apoia, torce por mim”, disse Felipe, que disputa seu primeiro Campeonato Brasileiro.

Para os técnicos essa ajuda é sempre benvinda, mas tem que haver um limite. “Eu sou privilegiado, não tenho problema com os pais da minha flotilha, mas isso vem desde a escolinha. Ensinamos que é importante dar autonomia para que a criança aprenda a montar e desmontar o barco, fazer tudo o que tem que fazer com a ajuda do treinador. Na escola os pais já não podem ajudar muito e quando chega no campeonato eles acabam ficando bastante ansiosos, mas, junto com o capitão de flotilha, conseguimos não deixar esse nervosismo influenciar nas crianças. Ao mesmo tempo é importante saber que podemos contar com os pais caso aconteça alguma coisa”, disse Geison Mendes, técnico do Veleiros do Sul.

No final do dia, os velejadores e os pais presentes na Escola de Vela Lars Grael puderam participar de um bate papo com os medalhistas olímpicos Robert Scheidt e Bruno Prada, com direito a sorteio de brindes.

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Resultados:
Veteranos

  1. Gustavo Glimm, VDS, 14 pontos perdidos
  2. Nicolas Halles, CHI, 20 pp
  3. Bernardo Martins, ICRJ, 21 pp
  4. Benjamin Guzman, CHI, 22 pp
  5. Erick Carpes, VDS, 23 pp

Estreantes

  1. Erik Scheidt, Ilhabela, 4 pontos perdidos
  2. Davi Neves, ICSC, 9 pp
  3. Ian Borgstrom, Ilhabela, 11 pp
  4. Eduardo Almeida, ICRJ, 19 pp
  5. Milena Araujo, CICP, 20 pp

A programação do 47º Brasileiro de Optimist é intensa, com as regatas dos Veteranos que seguem até o dia 15, sempre a partir das 13h. O evento é classificatório para o Sul-Americano, que será disputado em Algarrobo, no Chile, em abril. Nesta sexta-feira será realizado o Campeonato Brasileiro de Optimist por Equipes, uma disputa entre estados, com 16 equipes participantes e um formato eliminatório. A Copa Brasil de Estreantes também chega ao fim e os dois eventos terão premiação a partir das 19h na Escola de Vela Lars Grael. As regatas podem ser acompanhadas em tempo real pelo canal Vela Viva no Youtube, Facebook e Whatsapp pelo número (11) 94158-2468. Os resultados podem ser vistos no aplicativo APVela (disponível para Android e iOS).

11/01
10h: Campeonato Brasileiro por Equipes
13h: Regatas Copa Brasil de Estreantes
19h: Premiação do Brasileiro por Equipes e da Copa Brasil de Estreantes

12/01
Dia livre

13/01
13h: Regatas Brasileiro de Optimist

14/01
13h: Regatas Brasileiro de Optimist

15/01
13h: Regatas Brasileiro de Optimist
20h: Cerimônia de encerramento e premiação

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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