Imagens de satélite e IA revelam milhares de navios fantasmas nos oceanos

Pesquisa mostra que 75% dos navios pesqueiros industriais do mundo estão ocultos a olho nu. Entenda os impactos

01/04/2025
Foto: DmitrySteshenko / Envato

Com o auxílio de imagens de satélite e inteligência artificial (IA), pesquisadores descobriram que os oceanos da Terra estão repletos de “navios fantasmas”. Longe de serem lendas urbanas, esses barcos não só são reais como representam um desafio tanto para a proteção, quanto para a gestão de recursos naturais.

O estudo, realizado pela Global Fishing Watch, juntamente com especialistas da Universidade de Wisconsin-Madison, da Universidade de Duke, da UC Santa Bárbara e da SkyTruth, revelou um número impressionante: 75% dos navios pesqueiros industriais do mundo estão ocultos a olho nu.

Foto: wirestock / Envato

Para chegar a esse dado, os estudiosos analisaram cerca de 2 milhões de gigabytes de imagens de satélite, capturadas entre 2017 e 2021. O resultado, segundo especialistas, é o primeiro mapa global do tráfego de grandes embarcações e infraestruturas em alto-mar.

As consequências dos “navios fantasma”

O objetivo principal do estudo era detectar embarcações e infraestruturas marítimas em águas costeiras de seis continentes, onde se concentram mais de três quartos da atividade industrial.

Foto: Global Fishing Watch / Divulgação

A análise mostrou que grande parte dos navios pesqueiros industriais opera sem registro público e atua principalmente na África e no sul da Ásia. Além disso, revelou que mais de 25% das embarcações de transporte e energia não são detectadas pelos sistemas públicos de rastreamento.


Vale ressaltar que nem todas as embarcações são obrigadas a transmitir sua localização. Inclusive, as que não aparecem nesses sistemas costumam ser chamadas de “frotas fantasmas” — e representam um desafio tanto para a proteção, quanto para a gestão de recursos naturais.

 

Isso porque, de acordo com os pesquisadores, existe um número alto de navios pesqueiros ocultos em muitas áreas marinhas que são protegidas, além de uma grande concentração de embarcações em águas de países onde, anteriormente, não havia registros de atividade nos sistemas públicos.

 

 

O problema fica ainda maior quando se leva em conta a discrepância gerada a partir disso em relação a dados oficiais. Os números apontam, por exemplo, que Ásia e Europa possuem volumes similares de pesca em suas fronteiras.

 

A pesquisa revelou, contudo, que a Ásia, na verdade, domina essa atividade: a cada 10 barcos pesqueiros em operação, sete estão na Ásia e apenas um na Europa. Para os especialistas, o dado evidencia como a pesca industrial global está realmente distribuída.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Rádio VHF em jet agora é obrigatório em São Paulo e São Sebastião; entenda

    Nova atualização exige o porte de equipamentos de segurança da navegação em Áreas de Navegação Interior 2, entre outros detalhes

    Mais de R$ 300 mil em prêmios: confira destaques do 15º Torneio de Pesca Esportiva de Três Lagoas

    Evento já tradicional no Mato Grosso do Sul reuniu 1208 pescadores e 311 embarcações

    1400 barcos em águas argentinas: saiba como foi a 49ª Festa Nacional do Surubim

    Tradicional evento argentino reuniu milhares de pessoas e embarcações em programação regada à pesca e cultura

    Nova técnica com pistola de ar comprimido pode revolucionar combate a coral invasor no Brasil

    Estudo mostra que novo método elimina tecido do coral-sol sem risco de regeneração. Tecnologia pode facilitar controle em marinas, cascos e áreas protegidas

    Teste Focker 370 GTX: uma lancha de respeito

    Com navegação rápida, cockpit inteligente e construção certificada, a lancha da Fibrafort mostra por que conquistou os brasileiros