Intech Boating recebe auditores para renovar Certificação ABNT-Acobar
A Intech Boating recebeu, na última semana, os auditores da ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas, para renovação de sua Certificação ABNT-Acobar, com o objetivo de atestar a eficiência na construção de embarcações e aprimorar os padrões de qualidade e segurança.
O programa de certificação, que foi lançado em 2018 pela ABNT em parceria com a ACOBAR – Associação Brasileira de Construtores de Barcos e seus Implementos, visa evidenciar os critérios de construção das embarcações produzidas no Brasil e estabelece importantes requisitos que foram aperfeiçoados seguindo padrões internacionais de construção, com o objetivo de conferir credibilidade ao barco brasileiro em qualquer lugar do mundo.


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A certificação está diretamente relacionada aos procedimentos e cuidados tomados durante a construção de uma embarcação, assim como à segurança das pessoas envolvidas na produção e também as que utilizam a embarcação e no cuidado com o meio ambiente.
Desde 2019, quando conquistou a certificação pela primeira vez, a Intech Boating foi uma grande defensora da importância dos estaleiros aderirem ao programa. “A Certificação é um compromisso ético dos estaleiros com o mercado. Além de trazer credibilidade para o usuário, por ele ter a segurança em saber que o seu barco foi construindo dentro de regras e padrões internacionais pré-estabelecidos, o proprietário ainda tem seu patrimônio valorizado para o mercado náutico em geral, como prestadores de serviço e seguradoras. É um passo fundamental para a profissionalização do mercado, atestando que os estaleiros nacionais têm conhecimento e capacidade para produzir e entregar barcos com qualidade superior, podendo concorrer de igual para igual em qualquer mercado”, relata José A. Galizio Neto, Presidente da Intech Boating.


Os estaleiros que constroem seus produtos de acordo com a norma técnica solicitam a Certificação e são submetidos a auditoria da ABNT, que encaminha uma equipe altamente capacitada para realizar a auditoria.
O processo inclui um completo checklist, que foi criado baseado em 14 Normas ISO internacionais, em normas nacionais, além das normas da Marinha do Brasil (NORMAN) e envolve a verificação de materiais de construção, sistemas de propulsão, de combustível e água, esquemas elétrico, de governo e flutuação, além da análise de processos internos e documentação.
Se atendidos todos os requisitos relacionados, a linha/modelo de embarcação recebe o Certificado e o Selo de Conformidade para ser colocado em local visível em cada embarcação, como forma de informar o público consumidor. Os Selos são unitários, específicos para cada embarcação, com o propósito de total rastreabilidade.


“Tenho muito orgulho de dizer que a Intech Boating foi o primeiro estaleiro no Brasil a ter toda a sua linha certificada”.
José A. Galizio Neto, Presidente da Intech Boating
“A Certificação agrega não só aos estaleiros que se submetem a auditoria, mas ao mercado náutico como um todo. Os critérios verificados acabam por validar o trabalho que vem sendo realizado, além de identificar e fomentar pontos de melhoria dentro do estaleiro. Externamente, o maior benefício é o compromisso ético e de transparência que firmamos com o mercado e a vontade nossa, como estaleiro brasileiro, em difundir uma cultura náutica mais profissional”, complementa Neto.
A meta futura da Acobar é desenvolver um processo junto à Capitania dos Portos, para que somente sejam registradas na Capitania as lanchas e embarcações que possuam o Selo de Certificação ABNT. A Acobar também já trabalha em parceria com a ABYC (American Boat and Yacht Council), com o intuito de padronizar e oficializar para o mercado internacional as características brasileiras de navegação e construção de barcos.


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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.
