Jorge Zarif estreia no Mundial de Finn 2021 em Portugal

Por: Redação -
07/05/2021

O velejador Jorge Zarif estreia nesta sexta-feira (7) no Mundial de Finn, que será realizado na cidade do Porto, em Portugal. O atleta, que se prepara para sua terceira Olimpíada, espera ficar entre os primeiros na competição, que reúne quase 60 competidores. Para conseguir melhores resultados e chegar pronto para Tóquio, o brasileiro está há mais de um mês no país europeu treinando ao lado do técnico Alexandre Paradeda.

Inscreva-se no canal de NÁUTICA no YouTube e ATIVE as notificações

Antes das atividades no Porto, Jorge Zarif participou do Campeonato Europeu de Finn, disputado em Vilamoura, terminando em 21º. O evento marcou o retorno dele às competições internacionais após quase dois anos de ausência.

Nesta quinta-feira (6), a organização do Mundial de Finn realizou a medição dos barcos e Jorge Zarif vai usar na raia da cidade do Porto. ”Estamos há um mês aqui em Portugal, tivemos o Europeu com um resultado abaixo da expectativa mas chegamos muito em cima lá, barco alugado, então apesar de ter sido um pouco abaixo era difícil fazer um campeonato bom pela falta de preparação, pelo tempo velejando longe dos melhores do mundo”, explicou Jorge Zarif.

”Aqui no Mundial já não vamos ter essa desculpa, já estamos um mês aqui com o barco, treinamos bastante aqui no Porto. Deu para se acostumar legal com as ondas, tivemos muito mais tempo de adaptação com as velas, com o mastro e muito mais tempo de preparar o material para ter uma velocidade competitiva, o que a gente não tinha lá em Vilamoura”.

Fotos: Robert Deaves

Leia também

» Jogador de futebol americano Tom Brady compra lancha de US$ 6 mi

» 50ª edição do Newport International Boat Show tem data para acontecer nos EUA

» Lagoa Vermelha de Saquarema tem as águas mais salgadas do Rio e é comparada ao Mar Morto

O evento tem mais de 60 anos de história e tem o nome oficial de Finn Gold Cup. Jorge Zarif foi campeão mundial em 2013 em Tallin, na Estônia. O velejador também ganhou a versão júnior da competição um mês antes.

Com o material em dia enviado pela PGL e treinos mais constantes na Europa, o brasileiro espera voltar pra casa com um bom resultado. ”Já estou bem mais familiarizado com as largadas com bastante gente na raia, com o pessoal bom ao lado, vamos tentar fazer um bom resultado aqui para conseguir chegar confiante na reta final para as olimpíadas”.

O principal resultado de Jorge Zarif na Finn foi o título mundial de 2013, conquistado em Tallin, na Estônia. O velejador também ganhou a versão júnior da competição um mês antes. Após o feito, foi eleito pelo Comitê Olímpico Brasileiro como o Atleta do Ano.

Foi campeão da Copa do Mundo de Hyéres, bicampeão da Copa do Mundo de Miami e tetracampeão Sul-Americano. Jorge Zarif também foi campeão da Star Sailors League 2018 e campeão Mundial de 2018.

O objetivo do velejador é chegar pronto para Tóquio 2021, sua terceira olimpíada na carreira. Em Londres 2012, o velejador paulista terminou em 20º lugar e foi o mais jovem da delegação na modalidade. Já na Rio 2016, o atleta ficou em 4º. Em Pequim 2008, Jorginho foi como reserva com apenas 15 anos.

Não perca nada! Clique aqui para receber notícias do mundo náutico no seu WhatsApp.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Iate Custom Line Saetta, de 128 pés, é lançado na Itália

    Embarcação de luxo com casco planante foi construída pelo Grupo Ferretti e lançada ao mar em Ancona

    Conesul e Vale do Ivinhema: o novo horizonte do turismo náutico brasileiro

    Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!