Marina pública: infraestrutura estratégica para o desenvolvimento do turismo náutico
Bianca Colepicolo comenta sobre modelos de infraestruturas marítimas e analisa vantagens de parcerias


Uma marina pública é uma infraestrutura náutica instalada em área sob domínio público — geralmente terrenos de marinha ou áreas da União, como espelhos d’água e orlas marítimas ou fluviais — que oferece serviços de apoio ao turismo e à navegação de forma acessível, regulada e sustentável.
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Diferentemente de empreendimentos privados exclusivos, as marinas públicas são planejadas para democratizar o acesso à navegação, impulsionar a economia local e ordenar o uso múltiplo das águas.


Ao contrário do que o nome “pública” possa sugerir, os serviços oferecidos pela marina não são gratuitos. Trata-se de um equipamento público com gestão regulada, que cobra pelas vagas, manutenção, abastecimento e demais serviços — assim como ocorre em aeroportos ou terminais rodoviários.


A marina pública funciona, na prática, como um “hotel” para embarcações de turistas, com estrutura para acolher com segurança e conforto os navegadores em trânsito ou ancoragem temporária.
Serviços Oferecidos por uma Marina Pública
As marinas públicas podem ser multiescalas, com diferentes portes e complexidades, mas em geral oferecem:
- Vagas molhadas e secas para embarcações de pequeno e médio porte;
- Rampa pública de acesso ao mar (ou rio);
- Abastecimento de combustível e água potável;
- Coleta seletiva de resíduos e descarte de efluentes (sistema de pump out);
- Oficinas e serviços de manutenção;
- Guarda e vigilância;
- Lojas de conveniência náutica;
- Sanitários, vestiários e duchas;
- Espaço para atividades esportivas e educacionais (vela, remo, canoa, etc.);
- Atendimento turístico e agendamento de passeios náuticos regulados.
Em modelos mais avançados, pode incluir também escolas náuticas, coworkings e pontos de embarque integrados a rotas turísticas.
Instalação de Marina Pública: PMI e PPP
Para viabilizar a instalação de marinas públicas com padrão de excelência e sustentabilidade, o poder público pode recorrer a dois instrumentos fundamentais:
PMI – Procedimento de Manifestação de Interesse
Permite que empresas apresentem estudos técnicos, econômicos e jurídicos para a implantação da marina em área pública. A partir desses estudos, o município ou Estado estrutura uma futura concessão, mantendo o domínio público da área e atraindo investimento privado com base em viabilidade comprovada.
PPP – Parceria Público-Privada
A PPP, nos moldes da Lei Federal nº 11.079/2004, possibilita a delegação da construção, operação e manutenção da marina ao setor privado, com prazos entre 10 e 35 anos. A remuneração pode vir exclusivamente da exploração da infraestrutura (concessão comum) ou ser complementada com contraprestação pública (concessão administrativa), dependendo da política pública e do retorno esperado.
Vantagens para o Turismo e Desenvolvimento Local
- Ordenamento do uso náutico: evita a ocupação desorganizada de orlas e espelhos d’água;
- Democratização do acesso ao mar: com rampas públicas, vagas acessíveis e serviços para embarcações de passeio;
- Geração de emprego e renda: oficinas, restaurantes, guias náuticos, instrutores, comércio de peças e equipamentos;
- Estímulo ao turismo náutico: passeios regulares, roteiros integrados, eventos e esportes aquáticos;
- Valorização imobiliária e urbanística: requalificação de áreas portuárias e subutilizadas;
- Integração regional: conectando marinas por rotas náuticas e aumentando a permanência do turista na região.


Marinas públicas bem planejadas são instrumentos potentes de política urbana, ambiental e turística. Ao atrair investimentos via PMI e PPP, os municípios brasileiros podem transformar suas orlas em polos de desenvolvimento sustentável, com acesso regulado, uso múltiplo das águas e respeito à vocação local.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.
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