Passeio grátis de barco e mais! Dinamarca dá “mimos” a turistas sustentáveis
Programa de recompensas CopenPay tem benefícios como tour em barco elétrico e desconto em safári de focas


Em Copenhague, capital da Dinamarca, turistas com ações ecologicamente sustentáveis — como chegar a um destino de bicicleta — conseguem garantir uma série de benefícios, que vão desde entradas gratuitas em museus até descontos para um “safári de observação de focas”. As recompensas são da iniciativa “CopenPay”, que começa em 17 de junho e segue até 17 de agosto.
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Conhecida como a “cidade mais feliz do mundo”, Copenhague é um destino vibrante dentro da Dinamarca, onde seus habitantes trabalham menos e socializam mais. Além de requisitada, a cidade oferece bons projetos a quem a escolhe como destino, a exemplo do CopenPay, que visa recompensar os visitantes por fazerem escolhas mais conscientes.


Chegar no canal de Nyhavn de bicicleta, por exemplo, resulta em uma programação que inclui mergulho, música e café grátis — tudo pelo hotel Kanalhuset, que soma 4,8 de 5 estrelas nas avaliações do Google Maps. Mas esse ainda está longe de ser o ponto alto dos benefícios por ações sustentáveis em Copenhague.
Quem for até o aquário de Øresundsakvariet de transporte público garante 20% de desconto na entrada da atração, ou 10% OFF em safáris para observar botos e focas — basta apresentar a passagem de trem ou ônibus.


As idas até a agência de viagens Stromma Danmark a pé, de bicicleta ou de transporte público resultam em um passeio gratuito de 70 minutos em um dos canais da cidade, a bordo de um barco movido a energia elétrica. O passeio conta com guias em inglês e dinamarquês, sendo que a oferta é válida para a partida às 10h15 nos dias 16, 23 e 30 de julho.


Bebidas, sobremesas, almoços, excursões, experiências culturais e até minutos grátis em alugueis de bicicleta — meio de locomoção tradicional em Copenhague — são algumas outras recompensas oferecidas pelo CopenPay. As ações sustentáveis incluem ainda ajudar na manutenção da cidade, trabalhar em uma horta urbana, trocar o avião pelo trem e passar mais de quatro dias no destino.
A ideia da iniciativa, criada pela Wonderful Copenhague (organização oficial de turismo de Copenhague) é “inspirar e incentivar os viajantes, além de conscientizar sobre as escolhas que fazemos ao viajar”.
Queremos recompensar os visitantes por fazerem escolhas mais conscientes ao viajar– destaca o CopenPay
A comprovação das ações que geram benefícios são, de forma geral, baseadas na confiança, em linha com a cultura da Dinamarca — conforme observado pela PEW Research. Para algumas delas, no entanto, como no caso do uso de transporte público para locomoção, as passagens podem ser apresentadas como comprovante.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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