Eventos náuticos impulsionam o turismo e atraem investimentos
Os eventos do setor náutico, como exposições, feiras, simpósios, fóruns e encontros, são grandes oportunidades para destinos turísticos. Participar ativamente dessas iniciativas não apenas fortalece a imagem da cidade como um destino preparado para receber embarcações e turistas, como também abre portas para novos negócios, investimentos e parcerias.
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Eventos náuticos reúnem um público qualificado, composto por fabricantes de embarcações, operadores de turismo, investidores, prestadores de serviços e navegadores de diferentes perfis.


Logo, para um destino turístico que deseja se posicionar no setor náutico, estar presente nesses encontros significa ter a chance de apresentar seus atrativos e sua infraestrutura para um público diretamente interessado.


Os municípios que desejam fortalecer o turismo náutico precisam mostrar nos eventos o que têm a oferecer, incluindo:
- Corpos d’água navegáveis: Apresentar as belezas naturais da região, como rios, lagos, baías e trechos de mar ideais para navegação recreativa, esportiva e de expedição;
- Infraestrutura pública e privada: Destacar marinas, garagens náuticas, píeres, rampas de acesso, sinalização aquática e demais estruturas que facilitam a navegação e a permanência de embarcações;
- Serviços para embarcações: Mostrar a disponibilidade de assistência técnica, abastecimento, segurança, alimentação e hospitalidade para quem chega de barco;
- Passeios turísticos e experiências: Evidenciar os roteiros regulares disponíveis, como passeios de barco, pesca esportiva, mergulho e esportes aquáticos, que valorizam o destino e atraem turistas;
- Oportunidades de investimento: Apresentar áreas propícias para novos empreendimentos, seja na construção de marinas, resorts náuticos ou na ampliação da oferta de serviços.
Estratégias para ampliar horizontes e gerar negócios
Além da participação institucional do município, é essencial que operadores locais do turismo náutico, donos de marinas, garagens náuticas e prestadores de serviço também compareçam a esses eventos. A interação direta com expositores, fornecedores e investidores amplia a visão sobre o setor e facilita a criação de parcerias estratégicas.


Muitas vezes, oportunidades de negócios surgem exatamente nesses encontros, quando profissionais trocam experiências e conhecem novas soluções para melhorar seus serviços.
Para o município, incentivar essa participação significa promover o crescimento do setor, aumentar a oferta de empregos e fortalecer a economia local. Quanto mais integrada for a atuação entre o poder público e a iniciativa privada, maiores serão os benefícios para a comunidade.
Eventos náuticos como ferramenta de desenvolvimento econômico
A presença ativa em eventos náuticos permite que os destinos turísticos construam uma identidade forte no setor, atraindo mais visitantes e fomentando o crescimento sustentável da região. Além disso, participar de simpósios e fóruns voltados ao tema ajuda os gestores públicos a entenderem melhor as necessidades do mercado, as tendências do setor e as políticas mais eficazes para incentivar o turismo náutico.


Se um destino deseja se destacar na náutica, estar presente nesses eventos é um passo fundamental. Mais do que divulgar a região, trata-se de uma estratégia inteligente para atrair investimentos, ampliar a rede de contatos e fortalecer o turismo náutico como um motor de desenvolvimento econômico e social.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
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