“Marolas Não”: um movimento pela convivência respeitosa no mar
Criado por navegadores e moradores a bordo, manifesto busca por respeito e segurança em áreas de fundeio


Embora comumente associadas a leve ondinhas no mar, as marolas podem ser muito mais do que isso — e causar estragos sem precedentes, principalmente, em áreas de fundeio. Não à toa, nasceu o movimento “Marolas Não”, que visa colher assinaturas de pessoas afetadas pela falta de prudência no mar, em busca de respeito e segurança.
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Formado por velejadores, moradores a bordo, circunavegadores e amantes do mar, o projeto chama atenção das autoridades e da comunidade náutica para um problema que há muito assola esse grupo de pessoas: os efeitos da imprudência nas águas — especialmente as que geram as famosas marolas.
Marolas e suas consequências
Geradas principalmente pelo movimento de embarcações, as marolas se formam quando o casco do barco desloca a água, criando ondas que se propagam lateralmente e para trás. Quanto maior e mais rápida a embarcação, mais intensas são as marolas produzidas.


Mesmo que em velocidade de cruzeiro, uma embarcação que passa muito próxima a uma ancoragem ou marina, onde há barcos fundeados, tende a causar estragos. O problema vai de pratos, copos e equipamentos se espatifando no chão a pessoas sofrendo acidentes, caindo de escadas, de camas e até de mastros — isso inclui, inclusive, crianças.
A sua marola entra como um cavalo desgovernado no salão– aponta o manifesto
Segundo a iniciativa, “não se trata de impedir ninguém de navegar. Mas de lembrar que o mar é de todos — e que todos merecem respeito”. Inclusive, a Marinha do Brasil, através da NORMAM-211, já proíbe comportamentos perigosos em áreas de fundeio. Entre eles:
- Navegar em alta velocidade próximo a embarcações fundeadas;
- Criar marolas que incomodem ou coloquem outras embarcações em risco;
- Desrespeitar áreas sinalizadas ou limites estabelecidos pelas capitanias.
Apesar disso, o movimento aponta que a fiscalização é limitada. Assim, a ideia do “Marolas Não” é, também, exigir que a lei seja divulgada, cumprida e respeitada.
“Somos gente que acredita na vida sobre as águas. Que ama o vento, o silêncio, o movimento e a pausa. Que respeita o espaço alheio. Que entende que uma marola pode ser só uma ondinha para quem a gera — mas um tremor devastador para quem está parado, vivendo, cuidando ou apenas tentando manter o barco em ordem”, ressalta o projeto.
Reivindicação e comprometimento
Entre as reinvindicações do “Marolas Não”, estão:
- Fiscalização efetiva da legislação náutica existente;
- Sinalização nítida nas áreas de fundeio;
- Educação náutica para condutores de embarcações motorizadas;
- Respeito aos moradores a bordo e embarcações fundeadas;
- Campanhas permanentes de conscientização sobre marolas.
O movimento também se compromete a:
- Registrar e denunciar abusos;
- Compartilhar informações e dados sobre áreas críticas;
- Promover o diálogo entre velejadores, lancheiros e autoridades;
- Defender o direito de viver sobre as águas com segurança e dignidade.
Veja como participar
Atualmente, o movimento “Marolas Não” trabalha com três frentes: um manifesto, em que interessados podem deixar sua assinatura e optar por receber atualizações do projeto; uma enquete, criada para colher relatos de navegadores do Brasil e do mundo sobre os efeitos das marolas em ancoragens; e um canal de denúncias, para quem presenciou ou foi vítima de uma marola causada por embarcação imprudente.
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