Mar Cáspio em seca ameaça focas, economia e milhões de vidas

Por: Nicole Leslie -
25/04/2025

O Mar Cáspio, maior corpo de água salgada sem litoral do planeta, vem encolhendo em ritmo alarmante devido ao aumento das temperaturas globais. O que poderia soar como um processo geológico lento já coloca em risco a vida marinha, o sustento de milhões e as economias regionais.

Segundo pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, se o aquecimento global ultrapassar os limites atuais, o Cáspio pode recuar cerca de 21 metros até 2100. Mesmo se o aumento da temperatura for controlado a 2°C, as águas devem baixar entre 5 e 10 metros — cenário suficiente para comprometer o ecossistema e a vida ao redor.

 

A foca-do-cáspio (Pusa caspica), espécie endêmica, e seis tipos do peixe esturjão estão entre os mais afetados. Com a redução da água, até 81% das áreas de reprodução das focas podem desaparecer. Espécies migratórias e peixes da lagoa costeira também correm sérios riscos.

Imagem mostra focas-do-cáspio à beira das águas do habitat natural
Imagem mostra focas-do-cáspio à beira das águas do habitat natural. Foto: Ivair Jussi / Universidade de Leeds / Reprodução

Com a queda de apenas 10 metros — que é quase o mínimo previsto — quatro dos dez ecossistemas do Cáspio podem desaparecer, afetando a biodiversidade e o equilíbrio ambiental da região.

Economia à deriva

O impacto não será apenas ecológico. Portos estratégicos, como Baku, Anzali e Aktau correm o risco de ficarem isolados do mar, inviabilizando rotas comerciais e o transporte de cargas. Com o Cáspio em seca, os portos teriam que se afastar da costa original a uma distância que pode chegar a quilômetros.

 

Grandes campos petrolíferos, como Kashagan e Filanovsky, também dependem do acesso ao mar para escoar produção. O recuo mínimo previsto ameaça, ainda, a navegação pelo rio Volga, peça-chave no comércio internacional da região.


Vidas ameaçadas pela seca do Cáspio

Segundo o estudo, mais de 15 milhões de pessoas vivem nas margens do Cáspio. A redução do nível da água pode colapsar a pesca, tornar a agricultura inviável e transformar o leito seco em um novo foco de poeira tóxica, agravando a crise sanitária e social.

 

Com menos água doce e solos cada vez mais áridos, a migração forçada já desponta como realidade para as comunidades costeiras. Além, é claro, da instabilidade social que já paira o local, conforme informado na pesquisa.

O tempo está se esgotando

Especialistas afirmam que o recuo do Cáspio parece inevitável, mas seus impactos ainda podem ser mitigados. Políticas ambientais, adaptação de infraestruturas e cooperação internacional são apontadas como medidas urgentes para conter o avanço da crise — antes que se torne irreversível.

 

A situação não é apenas ecológica. O futuro de milhões de pessoas depende de uma resposta rápida — e o tempo para reagir está se esgotando.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Tags

    Relacionadas

    Marinha localiza pesqueiro com seis tripulantes após dias de buscas no Ceará

    Pesqueiro estava sem comunicação desde 27 de agosto e foi encontrado à deriva após uma avaria no sistema de propulsão

    Sedna apresentará barcos robustos para pescadores no São Paulo Boat Show

    Embarcações CC 320 e Cat 370 terão condições especiais e exclusivas para quem fechar negócio durante o evento

    Fórum Náutico Internacional da ANB reúne especialistas para discutir Economia Azul em Salvador

    Evento será realizado nos dias 16 e 17 de setembro, no Terminal de Cruzeiros de Salvador, com debates sobre turismo náutico, infraestrutura, indústria, sustentabilidade e futuro dos oceanos

    São Paulo Boat Show 2026 vai sortear lancha Focker 188 Joy com motor Yamaha de 90 hp

    Visitantes do evento poderão concorrer ao modelo da Fibrafort, equipado com motor de popa Yamaha F90; sorteio será realizado no último dia do salão

    McDonald’s leva McFish à Atlântida em campanha inspirada no fundo do mar

    Sanduíche de peixe volta ao cardápio no Brasil com nova versão Deluxe e campanha que transforma a lenda da cidade submersa em expedição pelas profundezas