Ilha de Ítaca se prepara para boom turístico após “A Odisseia”
Destino grego ligado ao mito de Odisseu espera atrair visitantes impulsionados pela superprodução de Christopher Nolan; na Sicília, locações usadas como Ítaca também já sentem o “efeito Nolan”


A nova adaptação de “A Odisseia”, dirigida por Christopher Nolan, já ultrapassou as salas de cinema e começa a movimentar o turismo em destinos ligados ao épico de Homero. Um dos principais exemplos é Ítaca, pequena ilha grega no Mar Jônico, historicamente associada à terra natal de Odisseu — ou Ulisses, na tradição latina.
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Com cerca de 3 mil habitantes, Ítaca fica distante dos grandes polos turísticos da Grécia. Ainda assim, a ilha espera uma alta no número de visitantes motivados pelo interesse renovado na história do herói que passou anos tentando voltar para casa após a Guerra de Troia.


A relação com o universo náutico é direta. Na obra de Homero, o retorno de Odisseu acontece pelo mar, em uma jornada marcada por tempestades, ilhas, naufrágios, monstros mitológicos, perdas de tripulação e sucessivos desvios de rota. Mais do que cenário, o mar funciona como força decisiva da narrativa.
Destino de mito, mar e navegação
Apesar da expectativa turística, Ítaca não serviu de locação para nenhuma cena do filme de Nolan. A decisão gerou frustração entre moradores e autoridades locais, que chegaram a procurar a produção para tentar levar parte das filmagens à ilha.


Mesmo assim, a publicidade indireta já é vista como positiva. Comerciantes e autoridades locais acreditam que o interesse pelo filme deve levar mais viajantes à ilha nos próximos meses, especialmente turistas interessados em história, literatura, mitologia e paisagens ligadas ao mar.
Ítaca não oferece ao visitante um palácio comprovado de Odisseu ou um grande sítio arqueológico que confirme a existência do personagem. O apelo turístico está em outro lugar: na atmosfera da ilha, nas águas cristalinas, nas baías, nos pequenos portos e nas referências espalhadas à memória de Homero e de seus personagens.


Nas vilas e no porto de Vathi, capital da ilha, há estátuas de Odisseu e Homero, barcos com nomes como Telêmaco e Calipso, além de lojas que vendem lembranças inspiradas em Penélope, no Cavalo de Troia e no ciclope Polifemo.
Uma das paradas mais simbólicas é a praia de Dexia, onde, segundo a tradição local, Odisseu teria desembarcado após anos de viagem.
Sicília também entra na rota
Se Ítaca é o destino mitológico, a ilha italiana de Favignana, na Sicília, é uma das grandes beneficiadas pelas filmagens. Foi ali que Nolan encontrou parte da paisagem usada para representar Ítaca no cinema.


A produção filmou em áreas da costa de Favignana, em enseadas e praias da ilha, além da ilhota de Preveto. Um dos pontos mais marcantes é o Castello di Santa Caterina, construção do século 15 no alto do Monte Santa Caterina, usado como referência visual para a Ítaca do filme.
Desde a divulgação do trailer, Favignana passou a ser promovida como destino associado à superprodução. O movimento já vem sendo chamado pela imprensa italiana de “efeito Nolan”.


Segundo estimativas citadas pela imprensa internacional, o impacto turístico pode alcançar cifras expressivas. A expectativa é que o filme gere cerca de US$ 287 milhões em receitas turísticas para Favignana nos próximos três anos, com potencial de ultrapassar US$ 500 milhões no longo prazo.
Turismo movido por cinema e mar
O fenômeno reforça uma tendência já conhecida no turismo: produções audiovisuais podem transformar destinos em rotas desejadas por viajantes. No caso de “A Odisseia”, porém, o apelo vai além do cinema. A força está também na ligação entre literatura, navegação e paisagens marítimas.


Para destinos como Ítaca e Favignana, o interesse do público combina mitologia, cultura clássica, natureza e experiências náuticas. São ilhas onde o mar não aparece apenas como paisagem, mas como parte da identidade local.
A nova onda de visitantes também mostra como narrativas antigas seguem capazes de movimentar economias modernas. Mais de dois mil anos depois, a jornada de Odisseu continua despertando fascínio justamente por tratar de temas universais: travessia, retorno, sobrevivência e o desafio de enfrentar o desconhecido.


Para Ítaca, mesmo fora das telas, o filme pode recolocar a ilha no mapa do turismo internacional. Para Favignana, que emprestou suas paisagens à produção, o impacto já começa a transformar locações em pontos de interesse.
Em comum, os dois destinos mostram que “A Odisseia” segue sendo uma das histórias mais náuticas da cultura ocidental — e que, quando o cinema reacende esse imaginário, o mar volta a ser também um poderoso motor de viagem.
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