Mar de plástico: alta concentração de microplástico ameaça corais no Mediterrâneo

Estudo revela concentração "excepcionalmente alta" de resíduos em recifes de ilhas espanholas, onde o formato dos corais age como armadilha

14/07/2025
Cladocora caespitosa. Foto: Diego Kersting/ Divulgação

Nem mesmo os recifes protegidos escapam da contaminação por resíduos plásticos. Um novo estudo publicado na revista científica Marine Pollution identificou uma concentração “excepcionalmente alta” de microplástico e microborracha em corais nas ilhas espanholas no Mar Mediterrâneo. A estrutura dos recifes, segundo os pesquisadores, favorece o acúmulo dessas partículas, criando um verdadeiro efeito armadilha no fundo do mar.

O Mare Nostrum (Mar Mediterrâneo) está se tornando um mar de plástico, mesmo nos ecossistemas mais protegidos– comunicado do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC)

No caso, a espécie de coral que está sofrendo com a poluição por microplásticos é a Cladocora caespitosa, a única com capacidade de formar recifes no Mar Mediterrâneo. Nas amostras colhidas na reserva marinha da Ilhas Columbretes, foram identificadas 1.514 partículas de microplástico para cada quilo de corais, em média.

Foto: macher78/ Envato

O número pode ser considerado preocupante, pois é muito superior aos obtidos em outras partes do Mar Mediterrâneo. Segundo o estudo, as taxas variam de 41 a 6.345 partículas de microplástico e microborracha por quilo de sedimento seco.

Encontramos microplásticos em todas as amostras, mas as maiores concentrações estavam dentro das estruturas dos corais– revela Diego Kersting, pesquisador do CSISC, que participou do estudo

Os microplásticos são pequenos resíduos plásticos com menos de cinco milímetros que podem vir de diversas fontes, como a degradação de plásticos maiores ou produtos cosméticos. Logo, não é uma surpresa que esses materiais acabem nas profundezas das águas.


Efeito armadilha

O estudo aponta um fator que explica a disparidade entre a quantidade de partículas de microplástico: o efeito armadilha. Isso se dá pelo formato dos recifes de coral, que contribui para o acúmulo dos materiais nocivos, que ficam presos nas estruturas.

Cladocora caespitosa. Foto: Creative Commons/ Wikimedia Commons/ Reprodução

Em Columbretes, o formato em ‘C’ da Baía de Illa Grossa também favorece o acúmulo de poluentes– afirma o pesquisadores Lars Reuning, coautor do estudo

O transporte de plástico por longas distâncias por meio das correntes Norte e Nordeste também contribui para a contaminação dos recifes de corais. Os fragmentos de borracha, por sua vez, são resultado, na maioria das vezes, do desgaste dos pneus em terra, que param no mar através dos rios.

Foto: EwaStudio/ Envato

De qualquer forma, é paradoxal que encontraremos essas concentrações de microplásticos em dois locais tão protegidos– lamenta Lars Reuning

Falsa segurança

Segundo o artigo, estima-se que 80% dos plásticos que chegam aos oceanos sejam provenientes de fontes terrestres. “Esse é um bom exemplo de que o lixo acaba em todos os lugares, da globalização da poluição plástica”, resumiu Kersting.

Cladocora caespitosa. Foto: Creative Commons/ Wikimedia Commons/ Reprodução

No momento, sabe-se que que os efeitos de 540 partículas por quilo seco de sedimento podem causar efeitos adversos à saúde dos corais — sendo que as concentrações de microplástico encontrado no Mediterrâneo são bem maiores. Porém, as reais consequências que o acúmulo pode causar são desconhecidos.

 

Além disso, o CSIC já detectou que o aquecimento do Mediterrâneo causa estresse neste coral, o que reduz seu crescimento e pode levá-lo à morte.

 

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