Navegue Seguro 2025: com novo nome, Marinha faz operação de segurança até março
A alta temporada da navegação é o momento em que a Marinha do Brasil intensifica suas ações no litoral brasileiro. Conhecida anteriormente como “Operação Verão”, a campanha ganhou um novo nome: Navegue Seguro. O objetivo, no entanto, segue o mesmo: promover a segurança na navegação e incentivar boas práticas nas águas.
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Nesta temporada, as ações da campanha começaram em 20 de dezembro e seguem até 15 de março, após o Carnaval. Esse é um período caracterizado pelo aumento das atividades no litoral e nas águas interiores do país, muito por conta do verão e do período de férias escolares.
A Navegue Seguro 2025 traz como mote a mensagem: “Fique ligado, você é o Capitão! Navegar com segurança é a sua melhor opção!”.


As atividades abrangem não só revistas e patrulhamento nas águas, como também campanhas de conscientização em clubes náuticos, marinas, entidades desportivas e até colônias de pescadores, sempre enfatizando a segurança da navegação.
Segundo levantamento da Marinha do Brasil, as infrações mais comuns registradas na Operação Verão de 2024 foram:
- falta de habilitação dos condutores;
- documentação da embarcação incompleta ou vencida;
- falta de material de salvatagem (coletes, boias, extintores de incêndio entre outros);
- desrespeito ao limite de lotação da embarcação;
- consumo de bebida alcoólica durante a condução;
- más condições de navegabilidade das embarcações.
Boas expectativas para o Navegue Seguro 2025
Dados da Marinha do Brasil apontam que, de 2023 para 2024, o número de apreensões de embarcações caiu quase 33% na operação, indo de 814 para 546.


Enquanto o número de apreensões diminuiu, o de inspeções aumenta desde 2021. Em 2024, foram 133.784 inspeções, o patamar mais alto dentro do período — e a expectativa da Marinha é seguir nessa crescente.
O principal objetivo é a criação de uma mentalidade de segurança nos navegadores. Tornar uma rotina o cumprimento das normas– Diretor de Portos e Costas, Vice-Almirante André Macedo
Para Macedo, é assim que se evitam os acidentes e garante-se “um lazer de qualidade.”
Além das inspeções navais, a campanha ainda engloba ações de conscientização para evitar o descarte de lixo em rios e mares, em um trabalho conjunto das Capitanias, Agências e Delegacias.
Por conta das particularidades climáticas das regiões Norte e Centro-Oeste, a Operação “Navegue Seguro” da Marinha ocorrerá em outro período nas capitanias dessas áreas. A previsão da Marinha é de que o aumento da fiscalização nestas regiões comece em junho de 2025.


Dicas de segurança ao navegar
Manter uma navegação segura é essencial para fazer do mar, a casa de quem ama navegar, um espaço de lazer saudável e acolhedor. Por isso, não permita pessoas que na água se aproximem do barco com o motor em funcionamento. No caso de mergulhos, só ligue o motor após a última pessoa subir a bordo. Para conferir mais dicas de navegação, veja 15 mandamentos básicos de segurança no mar.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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