Primeiro navio de passageiros autônomo do mundo já navega no Japão
Depois dos aviões, carros e caminhões, chegou a vez do universo náutico ser presenteado com o futuro automático. No último mês de dezembro, começou a operar no Japão o Olympia Dream Seto, o primeiro navio de passageiros comercial autônomo do mundo.
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A embarcação, que ostenta 66 metros de comprimento (216 pés), é capaz de transportar até 500 passageiros entre os portos de Shin-Okayama e Teshima. A depender da situação, o barco pode operar de forma totalmente automática, ainda que no movimentado Mar Interior de Seto, região sul do país.



O navio opera entre as cidades de Okayama e a ilha de Shodoshima, no oeste do arquipélago japonês. Ao todo, são realizadas quatro viagens ida e volta por dia. O projeto é apoiado por um consórcio de 53 entidades, incluindo a Fundação Nippon e empresas de construção naval e transporte marítimo, que trabalham no projeto desde 2020.
O mais importante para a implementação da navegação não tripulada na sociedade é acumular exemplos e conquistas. Estou muito satisfeito por poder dar este primeiro passo– destacou Mitsuyuki Unno, diretor Executivo da Fundação Nippon
Apesar do navio ser autônomo, há tripulantes a bordo para monitorar as viagens e intervir em caso de emergência. Mas, até agora, tudo tem funcionado bem: os sensores detectam o ambiente ao redor, ajustam o curso, evitam os obstáculos e controlam o leme e a hélice. O controle manual pode ser usado em situação de perigo.
A tecnologia do navio ainda permite que a atracação e a desatracação sejam feitas de forma automática — tarefa que, usualmente, necessita das habilidades de um timoneiro. Em demonstração realizada no início de dezembro, o barco detectou com precisão os obstáculos e o capitão apenas observou.
Além disso, a navegação do navio também conta com o apoio do Centro de Operação de Frota móvel em terra, que analisa as condições meteorológicas e monitora o equipamento da balsa em busca de anormalidades.


A Kokusai Ryobi Ferry Co., que opera a balsa Olympia Dream Seto, afirmou que pretende utilizar plenamente as funções de navegação autônoma assim que os membros da tripulação estiverem mais familiarizados com o sistema.
Essa tecnologia gerou valor ao aprimorar a segurança, reduzir acidentes marítimos e facilitar o trabalho dos marinheiros– afirmou Mitsunobu Kojima, presidente e CEO do Grupo Ryobi
A prova do tempo
Atualmente, o Japão abriga mais de 400 ilhas remotas habitadas e, por muitas vezes, os tripulantes dessas rotas vivem na própria região atendida. Porém, com o passar do tempo, as embarcações passaram a enfrentar falta de mão de obra devido ao envelhecimento da população.


De acordo com a Fundação Nippon, a rota do navio entre a ilha principal do Japão, Honshu, e a ilha de Shodoshima, é particularmente afetada por essa tendência. Por isso, o projeto busca recorrer ao sistema autônomo para manter essas rotas insulares remotas.
Existe a possibilidade de escassez de tripulação. Isso tornará inevitável a redução do serviço nessas regiões, causando transtornos às pessoas que vivem nessas áreas– declarou a instituição em seu site



Um representante da Fundação Nippon citou dados que mostram que 80% dos acidentes marítimos foram causados por erros humanos. “Embora os humanos tendam a ter lapsos de concentração, a navegação autônoma pode manter um nível consistente de desempenho”.
Com base nos dados que obtivermos das operações comerciais, esperamos contribuir para a criação de regras internacionais para navios autônomos– revelou Unno
Agora, o próximo objetivo é que outros três navios autônomos operem em diferentes rotas até março de 2026.
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