Parceria de vida: Lars Grael e Clínio de Freitas relembram 40 anos de competição na antiga União Soviética

Dupla com forte histórico de competições e regatas nutre relação de amizade mais intensa ainda

Por: Nicole Leslie -
05/08/2026
Lars Grael (à esq.) e Clínio de Freitas em ambas as imagens. Foto: Victor Santos / Revista Náutica e Instagram @lgrael / Reprodução

A amizade entre os velejadores Lars Grael e Clínio de Freitas teve início muito antes de se tornarem medalhistas. Essa relação começou ainda na infância, quando ambos frequentavam o mesmo clube. Agora, a dupla relembra os 40 anos da competição que os levou ao pódio em Tallinn, na então União Soviética (atual Estônia), em uma saga que marcaria o início de uma dupla de sucesso na vela.

A primeira regata dessa dupla histórica foi nos Goodwill Games (os ditos “Jogos da Amizade”), em julho de 1986, onde disputaram pela classe Tornado. Lars Grael e Clínio de Freitas levaram o bronze na categoria, mesmo com pouco tempo de treino juntos. À NÁUTICA, os dois relembraram esse feito e algumas das conquistas celebradas a dois.

Lars Grael e Clínio de Freitas: a história da dupla na vela

A parceria técnica na vela surgiu dois anos antes dos Jogos da Amizade e logo depois da Olimpíada de Los Angeles, em 1984. Na casião, Lars Grael competiu com seu primo Glen, e Clínio velejou em dupla com Márcio Bastos. Ao terminarem os Jogos, Lars e Clínio decidiram se unir para formar uma nova equipe.

Foto do pódio do Goodwill Games, em 1986, em Tallinn. Dupla Lars Grael e Clínio de Freitas à esquerda da imagem, sendo Clínio à esquerda e Lars o mais à direita. Foto: Instagram @lgrael / Reprodução

Foi a partir de 1984, portanto, que os dois começaram a treinar como um time, com o foco nas Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, em 1988. Antes disso, porém, surgiu a oportunidade de competirem no Goodwill Games — que, com o pódio, só serviu de incentivo para a dupla. Ainda assim, se engana quem pensa que os treinamentos para os jogos de Seul foram só flores.

 

Lars conta que, na época, eles não tiveram a oportunidade de treinar na Coreia do Sul antes dos jogos, ao contrário de outras equipes mais organizadas. Isso impactou na ambientação com o clima, o qual tiveram que conhecer basicamente durante a competição. Além disso, o barco utilizado nos treinamentos e na seletiva, no início daquele ano, ficou sem condições de uso e eles só conseguiram competir em alto nível porque obtiveram o patrocínio de uma empresa às vésperas da Olimpíada para comprar um veleiro novo.


Apesar das turbulências e de se considerarem “azarões” naquele contexto, a dupla conquistou o bronze olímpico na classe Tornado — a primeira de ambos no evento. Naquela época, a dupla que construía uma forte trajetória esportiva não imaginava que o laço de amizade se tornaria ainda mais forte devido a um grave acidente que aconteceria com Lars Grael anos depois.

Parceria em todas as horas

Em setembro de 1998, Lars Grael se preparava para competir na regata da Taça Cidade de Vitória, no Espírito Santo, quando uma lancha invadiu a área competitiva, colidiu com seu barco, o derrubou na água e o atingiu com a hélice do motor. O acidente resultou na amputação de sua perna direita.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Naquela situação de risco, Clínio de Freitas, que já era dentista e tinha noções de primeiros socorros, foi o primeiro a pular na água para resgatar o amigo. “Ele estava lá e me salvou”, relembra Lars Grael.

 

O amigo e ex-companheiro de dupla de Lars Grael ainda ainda fez um torniquete para conter sua hemorragia — um dos fatores que colaboraram para uma melhor recuperação dada as circunstâncias. Mesmo após o acidente traumático, Lars e Clínio não largaram a vela e muito menos a amizade.

Nas Olimpíadas de 2016, no Brasil, Lars Grael indicou Clínio de Freitas para conduzir a Tocha Olímpica em homenagem à ajuda que o amigo prestou no acidente em 1998. Foto: Marlon Falcão via GloboEsporte.com / Divulgação

“O Clínio é parceiro da vida inteira. Digo que irmão, quando nasce, a gente tem a irmandade. Mas amigo-irmão, a gente escolhe. O Clínio é meu parceiro de todos os momentos, desde glória, vitória, pódio, euforia e boas velejadas, até momentos difíceis que ele e eu já passamos na vida. Mas a gente estava junto”, relembra Lars.

 

Atualmente, Lars Grael e Clínio de Freitas mantém uma convivência frequente e ainda velejam juntos, seja em barcos lado a lado ou na mesma embarcação. Entre os roteiros preferidos da dupla está passear por Angra dos Reis, destino próximo às cidades de ambos — Rio de Janeiro e Niterói.

Lars Grael (à esq.) e Clínio de Freitas. Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Com informações de Gilberto Ungaretti.

 

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