Parece Van Gogh, mas é a natureza: mapa das correntes oceânicas da NASA impressiona
Modelo reconstrói, com base em décadas de dados, o comportamento dos oceanos e sua influência sobre o clima global. Veja!


Redemoinhos, correntes e fluxos de água em constante movimento. Essas são algumas das características do mapa das correntes oceânicas da NASA, que tem impressionado internautas pela riqueza de detalhes sobre a circulação dos oceanos da Terra — há quem diga, inclusive, que o emaranhado de correntes lembra as pinceladas de Vicent van Gogh.
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A animação é resultado de um dos mais ambiciosos projetos científicos da NASA, lançado em 1999: o ECCO (Estimating the Circulation and Climate of the Ocean), modelo que reconstrói, com base em décadas de dados, o comportamento dos oceanos e sua influência sobre o clima global. Assista:
O projeto reúne centenas de milhões de medições reais coletadas por satélites, sensores flutuantes e outros sistemas de monitoramento espalhados pelos oceanos do mundo todo. Entre os dados analisados estão temperatura, salinidade, altura da superfície do mar, pressão, concentração de gelo marinho e fluxo das correntes.
Correntes que regulam o planeta
É integrando essas informações com as leis da física que o ECCO produz uma reconstrução contínua dos últimos 30 anos da circulação oceânica, permitindo observar fenômenos que seriam praticamente impossíveis de acompanhar diretamente em escala global e contornando um dos maiores desafios da ciência: modelar o comportamento dos oceanos.


Isso porque, até o fim do século passado, os modelos disponíveis rapidamente deixavam de representar a realidade, tornando previsões confiáveis possíveis apenas por curtos períodos.
Uma das principais aplicações do mapa é o estudo das chamadas correntes de fronteira oeste, consideradas algumas das mais importantes do planeta. Impulsionadas pelos grandes sistemas de vento, essas correntes transportam enormes volumes de água quente dos trópicos para latitudes mais altas, exercendo influência direta sobre o clima, a biodiversidade e a circulação global dos oceanos.


Entre elas, três se destacam: a Corrente do Golfo, no Oceano Atlântico, a Corrente das Agulhas, no Índico; e a Corrente de Kuroshio, no Pacífico. A Corrente do Golfo, por exemplo, movimenta mais água do que todos os rios da Terra juntos. Ela ajuda a amenizar as temperaturas da costa leste dos Estados Unidos e exerce influência sobre o clima da Europa Ocidental.
As visualizações do ECCO também revelaram um detalhe que não aparecia nos mapas históricos: cerca de 600 metros abaixo da superfície existe uma contracorrente fria fluindo na direção oposta à corrente quente conhecida pelos navegadores há mais de cinco séculos.


Hoje, mais de uma centena de estudos científicos publicados todos os anos utilizam dados do ECCO para investigar desde mudanças climáticas até ecossistemas marinhos e circulação de nutrientes.
Embora a visualização tenha viralizado nas redes sociais pela semelhança com as pinceladas da obra A Noite Estrelada, de Van Gogh, seu valor maior está na ciência, uma vez que o ECCO representa uma das ferramentas mais completas já desenvolvidas para compreender o funcionamento dos oceanos, permitindo acompanhar processos invisíveis que controlam o clima, sustentam ecossistemas marinhos e influenciam a vida em todo o planeta.
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