No Brasil

Por: Redação -
16/08/2014

O Grupo Azimut-Benetti tem uma novidade para a filial brasileira do estaleiro, a construção do iate Azimut 80 em solo nacional. Premiado internacionalmente como o melhor barco a motor da categoria “Flybridge acima de 55 pés”, o iate começará a ser fabricado no Brasil a partir de 2015 e o anúncio e a apresentação técnica serão feitos em setembro durante o São Paulo Boat Show 2014.

Lançada no salão náutico de Cannes no ano passado, a Azimut 80, que até o momento era fabricada apenas pela sede italiana, tem agradado clientes de várias partes do mundo.

“Estamos trazendo para o mercado náutico brasileiro um modelo já consagrado e premiado no exterior e não temos dúvidas de que será um sucesso aqui também. Para se ter uma ideia, a apresentação do barco através de material promocional e o suporte de nossa equipe técnica serão realizados no São Paulo Boat Show deste ano mas, mesmo assim, já temos público considerável interessado em encomendas”, explica o diretor comercial da Azimut do Brasil Francesco Caputo.

“Trata-se de um iate único do gênero de sua categoria que impressiona pelo seu inovador design interior e exterior, sua imponência, seu desempenho e tecnologia. Um modelo desenvolvido especialmente a um público exigente e seleto,” complementa Caputo.

A embarcação de 25 metros de comprimento fará parte do portfólio dos modelos já fabricados no país juntamente com a Azimut 70, a Azimut 60, a Azimut 48, a Azimut 43, e a novíssima Azimut 42 – sucessos de vendas no Brasil.

A fábrica, localizada na cidade de Itajaí, Santa Catarina, e instalada atualmente em um espaço de mais de 16 mil metros quadrados tem aumentado sua produção significativamente ano a ano, prova da aceitação dos brasileiros pelos produtos que trazem a expertise italiana.

A previsão da diretoria é de um crescimento de 50% no volume de vendas nesta temporada náutica em relação à anterior e 80% de aumento em termos de dimensões na produção de barcos a motor de luxo.

“Percebemos que os clientes brasileiros, geralmente os que já têm um iate, buscam se aperfeiçoar no mundo náutico e, dessa forma, procuram barcos de tamanhos cada vez maiores. A Azimut 80 chegará ao Brasil para atender essas necessidades em alto estilo”, conta o CEO da Azimut do Brasil Davide Breviglieri.

Além de apresentar o máximo de conforto e lazer sem perder a elegância e o alto padrão da Azimut Yachts, outro grande destaque da 80 é o amplo flybridge com 42 m² que garante o máximo de aproveitamento ao ar livre e pode se adaptar ao gosto dos navegadores.

Destaque da Coleção Flybridge, a Azimut 80 é um convite para desfrutar a vida a bordo. Seu perfil diferenciado com janelas laterais grandes com popa arredondada e proa esguia e todo o design exterior que a torna inconfundível é assinado pelo consagrado profissional italiano Stefano Righini. Já a decoração do interior da Azimut 80 é de responsabilidade do arquiteto Achille Salvagni.

A Azimut 80 está equipada com 2 motores MAN CR V12 1140 kW/ de 1550 hp que alcançam 26 nós em velocidade de cruzeiro e 30 nós em velocidade máxima.

Imagens: Divulgação / Informações: assessoria de imprensa

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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