Os maiores do salão

Por: Redação -
26/03/2015

Os barcos grandes sempre encantam os visitantes dos salões náuticos cariocas. São embarcações com grandes áreas de convivência, flybridge e espaço que chegam perto de um pequeno apartamento. E este ano os estaleiros que estão no Rio Boat Show também não economizaram no tamanho dos seus barcos. De 65 a 40 pés, confira as maiores lanchas do Rio Boat Show 2015.

Intermarine 65
Projetada para superar expectativas, a Intermarine 65, do estaleiro paulista de mesmo nome, possui linhas elegantes e estilo inovador. O hard top elétrico no flybridge torna a navegação mais prática e prazerosa, para deleite de seus ocupantes (23 durante o dia e 10 em pernoite).

Phantom 630
A Phantom 630 será a maior das seis lanchas que o estaleiro catarinense Schaefer vai expor no salão náutico. Com três camarotes, a embarcação conta com um novo hard top no flybridge. Há opção de realizar o interior do barco com renomado estúdio italiano Pininfarina.

Azimut 60
A Azimut 60 tem mais de 18 metros de comprimento, o modelo faz parte da gama de opções fabricadas pela unidade brasileira da Azimut Yachts, filial da grife italiana consagrada mundialmente pela qualidade, variedade e luxo de seus produtos e serviços.

Cimitarra 560 Fly
A Cimitarra 560 Flybridge já é um sucesso, tendo perto de 10 unidades comercializadas. Com design imponente e bom padrão de acabamento, é bem espaçosa: tem capacidade para até 17 pessoas em passeios diurnos e oito em pernoite, além de oferecer quarto e banheiro para tripulação.

Prestige 550 Fly
Esta lancha francesa bem-acabada tem boa iluminação natural no salão e nos camarotes. A divisão interna agrada, com destaque para a cozinha localizada logo na entrada, e a máster suíte, isolada dos outros camarotes.

Real 520
A maior lancha do estaleiro carioca Real Power Boats já foi apresentada na versão paulista do Boat Show e, agora, chega ao Rio. Projetada pelo celebrado designer Tony Castro, tem ampla plataforma de popa com minicozinha e um aconchegante flybridge, além de salão que aproveita bem a boca de 4,60 metros.

Sea Ray 510 Fly
Uma das grandes estrelas recentes da americana Sea Ray, do Grupo Brunswick, a 510 Fly une conforto e modernidade. Com um flybridge grande e bem equipado, agrada a um público exigente e requintado. Para compor seu design, grandes janelas laterais foram implementadas.

Triton 470 HT
O Rio conhecerá, em primeira mão, a maior lancha do estaleiro paranaense Way Brasil, a Triton 470. Com comprimento total de 14,50 m e boca de 4 m, a embarcação tem capacidade para 16 pessoas durante o dia e seis à noite, acomodadas em dois camarotes.

Coral 46 HT
A carioca Lanchas Coral amplia seu portfólio com este modelo. Com pé-direito de 2,10 m nas áreas internas e boca máxima de 4,05 m, o barco tem capacidade para levar, em passeios diurnos, 16 pessoas — seis delas podem dormir a bordo.

Sessa Fly 42
Desenvolvida especialmente para o mercado nacional, esta lancha de 42 pés com flybridge — fabricada no Brasil pela Intech Boating para a Sessa Marine — é uma evolução do premiado modelo F40. Há uma churrasqueira na popa e uma grande mesa, tornando bastante atraente a área externa, que inclui o amplo flybridge (um dos mais espaçosos da categoria).

Ventura V410 Premium
A Ventura Marine vai apresentar a lancha V 410 Premium, que reúne inovação, luxo e exclusividade. Com tecnologia japonesa da Yamaha Motors Company, ela é fabricada inteiramente no Brasil. A lancha tem dois camarotes, cozinha integrada à sala, e já vem com itens de série como aparelho de som, TV, DVD, geladeira, micro-ondas, adega e uma churrasqueira.

F400 Gran Coupè
Lançada no São Paulo Boat Show, a F 400 Gran Coupé foi construída com base nos moldes da antiga Armada 400, pelas mãos do estaleiro catarinense Fibrafort, com consultoria da Porsche. O resultado é um design moderno e acabamento mais bem cuidado. A lancha tem cockpit de 1,80 m de pé-direito, coberto por hard top com teto solar de abertura elétrica.

Beneteau GT40
Um dos líderes mundiais do mercado náutico, o grupo francês Beneteau apresenta no Boat Show a GT 40 BR, fabricada em Angra dos Reis, que possui plataforma de popa grande com minicozinha e casco Air Step — sistema desenvolvido pelo estaleiro que diminui o atrito com a água e melhora o desempenho, o consumo e o conforto na navegação.

Fotos: Divulgação

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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