Vistos climáticos? 80% da população de país que pode desaparecer solicitou documento à Austrália
Acordo inédito prevê que moradores de Tuvalu encontrem no país residência permanente, além do direito de viver, trabalhar e estudar


Vistos climáticos. Essa foi a inédita solução dada pela Austrália aos moradores de Tuvalu, um pequeno país da Oceania que deve se tornar o primeiro do mundo a ficar inabitável por conta das mudanças climáticas. Neste ano, mais de 80% da população do arquipélago solicitou o documento.
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Dois dos nove atóis (ilhas oceânicas em forma de anel) que compõe Tuvalu já desapareceram pelo aumento do nível do mar. Menor que o município de Diadema (SP) e com pico máximo de apenas 5 metros de altura, o arquipélago deve se tornar inabitável em torno de 80 anos, de acordo com cientistas climáticos.


Por isso o acordo com a Austrália, firmado em 2023, prevê que os moradores tuvaluanos encontrem no país residência permanente, além do direito de viver, trabalhar e estudar. Há, porém, um número limite de vistos cedidos por ano: cerca de 280 solicitações — 8.470 a menos que o número de pedidos feitos até agora.


O dado foi revelado pela comissão australiana que gerencia essas solicitações. De acordo com o documento, 8.750 pedidos foram feitos — cerca de 82% da população de Tuvalu, que, segundo o censo de 2022, era de 10.643 habitantes.
Apesar disso, em 2026, outras 280 solicitações serão aceitas novamente — e assim por diante. A ideia é conceder o visto climático a centenas de tuvaluanos todos os anos, permitindo a migração de 4% dos moradores anualmente. Ou seja: a expectativa é que 40% da população já tenha deixado a ilha dentro de uma década.
O acordo não estabelece um prazo final para as solicitações, embora estime funcionar até que o arquipélago desapareça de vez no mar.
Mais do que vizinhos
Reconhecida como União Falepili — uma palavra tuvaluana que se refere à boa vizinhança, cuidado e respeito mútuo — , a relação entre Austrália e Tuvalu também abrange outros acordos e parceria entre os dois países.


Por exemplo: os militares australianos podem ter acesso e presença em Tuvalu caso necessário, para prestar a assistência solicitada pelo país. Além disso, o acordo ajuda a compensar as críticas do Pacífico sobre as emissões australianas, visto que o país está cooperando com uma causa ambiental.
E, obviamente, o acordo histórico também tem seu lado geopolítico. O pacto é visto como uma vitória estratégica para a Austrália, que compete com a China pela consolidação de influência na região do Pacífico — justamente onde está Tuvalu.
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